Luca Bruno/AP
Luca Bruno/AP

Ordem de equipe: para Grosjean, a Lotus fez a 'coisa certa'

Segundo o piloto francês, companheiro de escuderia estava com um ritmo de corrida melhor

LIVIO ORICCHIO - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

07 de julho de 2013 | 15h13

NURBURG - Na 55.ª volta do GP da Alemanha, a cinco da bandeirada, neste domingo no autódromo de Nurburgring, o francês Romain Grosjean, da Lotus, freou antes do normal na chicane, anterior a última curva do circuito de 5.148 metros, para que seu companheiro de equipe, Kimi Raikkonen, o ultrapassasse pela trajetória interna. Grosjean ocupava a segunda colocação, depois de um fim de semana de trabalho brilhante.

Sebastian Vettel, da Red Bull, era o líder, somente um segundo e nove décimos a sua frente. À menor hesitação do alemão e Grojean assumiria o primeiro lugar para, provavelmente, vencer o GP da Alemanha, nono do calendário. Mas Grosjean atendeu o pedido do diretor da Lotus, Eric Boullier, feito através do rádio, para deixar Raikkonen assumir o segundo lugar.

Na entrevista depois do pódio, em que Vettel celebrou a vitória, Raikkonen a segunda colocação, Grosjean, terceiro, respondeu sobre se terá a chance de tentar a sua vitória: “Quando surgir a oportunidade, sim. Hoje nós (ele e Raikkonen) não pusemos os ovos no mesmo cesto, Kimi estava mais rápido e talvez até superasse Vettel, o que eu não pude. Penso que fizemos a coisa certa”, afirmou, resoluto, nada atingido por ter cumprido a ordem de equipe.

Por não colocar os ovos no mesmo cesto desejou dizer que as estratégias eram distintas. Ele fez seu terceiro e último pit stop na 40.ª volta, a 20 da bandeirada, e voltou à pista com pneus médios usados. Raikkonen estender a permanência no circuito até a 49.ª volta e deixou os boxes com pneus macios usados. Havia bem mais borracha no asfalto e os carros estavam leves, por a corrida se aproximar do fim. A cada volta, na sequência, Raikkonen se aproximava de Grosjean e Vettel.

“É importante para o time somar e tentar a vitória. Sem o safety car a história poderia ter sido outra, mas estamos todos felizes com a maneira como tudo acabou”, disse Grosjean.

De fato, a entrada do safety car na pista entre as voltas 23 e 28, para a retirada da Marussia de Jules Bianchi, parada, permitiu que Vettel, como a maioria, realizasse o seu segundo pit stop. Isso reduziu a possível vantagem que a Lotus teria por dispor do monoposto que melhor administra o desgaste dos pneus Pirelli, concebidos para se degradarem rápido e as provas terem vários pit stops.

Não é fácil um piloto estar numa condição tão favorável na corrida como a de Grosjean, resultado da excelência do seu trabalho no fim de semana, e ter de abrir mão de uma colocação para o companheiro de equipe. Ao menos para Grosjean, no entanto, não gerou maiores desconfortos, por conta da possibilidade, real, de Raikkonen poder vencer o GP da Alemanha.

Não foi à toa que o vencedor, Vettel, afirmou: “Felizmente a competição teve 60 voltas e não 61 ou 62”. É provável que Raikkonen pudesse recorrer ao uso do DRS, flap móvel, pois chegou a ficar a um segundo do alemão, e até mesmo o utrapassasse para receber a bandeirada em primeiro.

O que se espera, agora, é que a mesma maturidade demonstrada por Grosjean dentro e fora da pista, em Nurburgring, se estenda para o restante da temporada, pois velocidade todos na Fórmula 1 sabem que ele tem e muita.

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