Eliaria Andrade/Estadão<br>
Eliaria Andrade/Estadão

Organização faz testes no autódromo de Interlagos antes da F-1

Autódromo passa por reforma visando a corrida da maior categoria do automobilismo mundial e realiza simulações pare evitar acidentes

ALESSANDRO LUCCHETTI E FELIPE ROSA MENDES, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2014 | 13h34

O autódromo de Interlagos já está praticamente pronto para receber o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, no dia 9 de novembro. A organização do evento realizou neste sábado um simulado que envolveu 500 pessoas. As equipes médica, de sinalização e resgate treinaram as tarefas que lhes cabem durante uma corrida. Foram utilizados bólidos da Fórmula Alpie, que pertencem a uma escola de pilotagem de Interlagos.

O simulado se tornou ainda mais necessário depois da reforma que produziu alterações significativas no autódromo. A curva "S" do Senna tem agora uma "agulha", um corredor paralelo à pista, protegido por guardrails, por onde pode se deslocar o trator incumbido da remoção de carros.

O trator utilizado em Interlagos é um modelo diferente daquele que foi empregado no Grande Prêmio do Japão. No autódromo de Suzuka, o piloto francês Jules Bianchi sofreu um sério acidente ao colidir com o trator que trabalhava no resgate do carro de Adrian Sutil. O equipamento de Interlagos tem um vão de 46cm até o chão, enquanto o de Suzuka é de um metro. A Marussia de Bianchi entrou nesse vão.

O modelo do Grande Prêmio do Brasil, importado da Itália, tem um braço telescópico de 17m. Na maior parte dos casos, esse aparelho permite a remoção de um carro sem que o trator tenha que entrar na pista.

O trator do simulado deste sábado ficou localizado numa nova área criada após a reforma. A nova área de escape vai impedir que os carros ricocheteiem no guardrail e voltem à pista, o que representa um grande risco.

A atividade deste sábado ensaiou alguns procedimentos de desencarceração, que é a retirada do piloto de dentro das ferragens. No comando das operações, na torre de controle, postou-se o novo diretor de prova, Flávio Perillo, que estreia na função sucedendo Carlos Montagner. Perillo acompanhou tudo diante de um videowall, municiado por imagens de altíssima resolução.

Na futura concepção de Interlagos, a torre de controle será demolida. "Não existe mais necessidade de que os comissários fiquem num posto mais elevado para acompanhar a prova. Com o videowall, essa operação pode ser feita até mesmo num compartimento subterrâneo", diz Pedro Luís do Nascimento, consultor técnico de engenharia da organização do GP.

Por falar na nova concepção, a segunda etapa das reformas, que deve se iniciar em dezembro, ou janeiro, vai dobrar a área disponível para as equipes trabalharem. Cada equipe terá direito a uma área de 250m² no prédio de apoio a ser construído atrás do paddock. A área entre o novo prédio e os boxes será coberta.

O sistema de comunicação de Interlagos é o único do mundo com sistema closed caption - todas as conversas são convertidas em texto, o que cria uma espécie de caixa preta.

Os procedimentos de segurança não deverão receber nenhuma alteração profunda depois do acidente de Bianchi. "Não esperem nada em termos de mudanças, porque a estrutura já está montada", esclarece Nascimento.

A organização do GP espera que a nova configuração do autódromo agrade os dirigentes da FIA. "Nunca teremos aqui um autódromo com o padrão de luxo encontrado em Abu Dabi ou Bahrein. Isto porque os investimentos aqui são feitos com dinheiro público, não com petrodólares investidos por ordem de algum xeque", avisa Nascimento.

Satisfeito com os resultados do simulado, o secretário municipal de Obras e Infraestrutura Urbana, Roberto Garibe, informa que não resta muito trabalho para aprontar o circuito. "Toda a parte estrutural está pronta, faltando apenas pequenos arremates."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.