Orgia de chefe da FIA foi 'verdadeira depravação', diz advogado

Mosley está processando jornal sob a acusação de ter violado a privacidade dele ao publicar fotos de uma orgia

Reuters

14 de julho de 2008 | 15h05

Em uma audiência realizada nesta segunda-feira, o advogado de um jornal britânico respondeu ao presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Max Mosley, afirmando que a sessão de sexo sadomasoquista envolvendo-o era um exemplo de "verdadeira depravação" e não um "mero jogo sem maiores consequências". Mosley está processando o News of the World sob a acusação de que o jornal violou a privacidade dele ao publicar fotos de uma orgia sadomasoquista das quais participaram ele e cinco prostitutas. O News of the World disse que a sessão teve inspiração nazista --uma questão delicada para Mosley, cujo pai, Oswald, foi líder da União Britânica de Fascistas, uma organização existente antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) -- e que a reportagem tinha interesse público. O presidente da FIA conseguiu permanecer em seu cargo apesar das tentativas feitas por algumas organizações nacionais de automobilismo para derrubá-lo. O caso também criou problemas para os serviços secretos da Grã-Bretanha após ter sido revelado que a dominatrix responsável por filmar a orgia e vender a história era a mulher de um agente do MI5. A agência afirma não ter nenhuma relação com a filmagem secreta. Apresentando as argumentações finais em defesa do News of the World, na Suprema Corte de Londres, o advogado Mark Warby disse que os representantes legais de Mosley haviam tentado apresentar a orgia como "algo semelhante a um mero jogo sem maiores consequências". "Houve uma tentativa, e acreditamos que uma tentativa claramente deliberada, de transformar isso tudo em algum tipo de farsa ou para fazer parecer que isso fosse uma tremenda piada", afirmou. A orgia foi descrita como "algum tipo de atividade respeitável, na qual se observaram as mais rígidas precauções de higiene e segurança como se ela estivesse sendo realizada segundo determinaria a 'Autoridade Reguladora do Bondage e do Sadomasoquismo"', disse. Segundo o advogado, a verdade era outra. "Houve uma forma de corrupção da personalidade. Houve, sugerimos, uma verdadeira depravação." O defensor de Mosley argumentou que o suposto tema nazista da orgia havia sido inventado pelo jornal com o único objetivo de "divulgar um material escandaloso". "E ponto final", disse ao juiz, acrescentando que o jornal havia agido "em total desrespeito" aos direitos de Mosley. A audiência continua a ser realizada.

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