Ousadia leva Rubinho ao 3º lugar

Tem sido assim, desde que Rubens Barrichello passou a competir pela Ferrari, ano passado: quando menos se espera dele, eis que os resultados surgem, conquistados em grande estilo, diga-se. Hoje, no GP da França, não foi diferente. Obteve uma má colocação no grid, sábado, oitavo, mas durante as 72 voltas da prova correu como poucos seriam capazes e terminou a corrida em terceiro, a 16 segundos de Michael Schumacher, o vencedor. "Ross Brawn (diretor-técnico) me perguntou, pelo rádio, na 17.ª volta, se eu queria fazer três paradas em vez de duas e eu topei", disse. Talvez a direção da Ferrari devesse obrigar Rubinho a classificar-se mal nas sessões que definem o grid. No GP da Alemanha do ano passado, depois de não passar da 18.ª colocação no sábado, ele venceu a prova de Hockeinheim e garantiu a seu companheiro, Michael, a liderança do Mundial, pois acabou na frente de Mika Hakkinen, da McLaren, segundo. Rubinho está se transformando no piloto que cumpre as missões quase impossíveis. "Se eu não ousasse, aceitando a opção dos três pit stops, o máximo que poderia conseguir seria a quinta colocação", explicou. É bem verdade também que o stop and go que David Coulthard, da McLaren, teve de cumprir, por excesso de velocidade nos boxes, assim como a quebra do motor da Williams de Juan Pablo Montoya o favoreceram. Os dois estavam na sua frente na corrida. O fato, no entanto, não tira os méritos do piloto da Ferrari, que disputou um GP como todo brasileiro deseja vê-lo: partindo para cima, com gana, com vontade de vencer. Rubinho demonstra nessas condições ser extremamente capaz, pois erra pouco e consegue ser muito veloz, como poucos. "Na largada e depois ainda na primeira volta ultrapassei os dois pilotos da Jordan", contou. Seu carro estava ótimo. "Houve um mal-entendido entre o que eu pedi e como os técnicos ajustaram minha Ferrari para o treino de sábado." Segundo disse, "era uma questão de eletrônica." A versão do time é que ele preferiu testar os pneus mais macios de manhã e, depois, ao constatar que os mais duros, usados por Michael, eram os melhores, visando a corrida, equipou sua Ferrari com os pneus duros, embora o chassi tivesse sido trabalhado para os moles. "Vi no warm-up (treino realizado no domingo pela manhã) que meu carro voltara a ficar muito bom." O momento mais difícil para Rubinho na corrida foi na parte final, a partir da 59.ª volta, quando Coulthard ameaçou seriamente sua terceira colocação. "Os pneus traseiros formaram bolhas logo nas primeiras voltas depois do último pit stop (54.ª volta)." Com isso seu ritmo, embora ainda bom, não era o mesmo do início da prova. "Cheguei a ver o painel do carro dele, no hairpin", comentou. A McLaren e a Ferrari ficaram lado a lado. A habilidade do piloto e a maior tração do carro italiano, numa pista como Magny-Cours, mostraram-se decisivas para Rubinho manter o terceiro lugar. O pódio não lhe garantiu, contudo, a permanência em terceiro na classificação do Mundial. Com os seis pontos da segunda colocação, Ralf Schumacher o deslocou para quarto. Agora Ralf tem 31 e Rubinho, 30. Luciano Burti, da Prost, possuía bolhas profundas na mão depois da corrida. "Sem a direção hidráulica as mãos se acabam, numa pista como esta, e os braços perdem sensibilidade", disse. Como Ralf Schumacher, seu segundo jogo de pneus não lhe oferecia nenhuma aderência. "Parecia que eu estava correndo com o asfalto molhado." O último jogo de pneus o permitiu maior velocidade. "Deu para ultrapassar o Fisichella e terminar em décimo." Os novos defletores, as pequenas asas na carenagem traseira e um assoalho semelhante ao da Williams tornaram o carro da Prost mais rápido. Tarso Marques ficou feliz por concluir a prova. "Quase não treinei no warm-up por causa da quebra do câmbio. E nas voltas finais, agora, o engate das marchas não era também preciso." Ele ficou na 15.ª colocação.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.