Pacotes mágicos

Tudo indica que, desta vez, eu errei feio no palpite de campeão do ano. Antes de começar a temporada, acreditando no equilíbrio, apontei Hamilton como o provável campeão. O que eu não esperava – e muito menos o próprio Hamilton – era ver o carro que começou o ano na frente parar de repente, enquanto os rivais progrediam. Agora vem o pacote de mudanças trazido para Hockenheim. Já vi milagres acontecerem na F-1, e terá de ser este o caso para trazer a McLaren de volta ao campeonato. Com metade da temporada completada na Alemanha, o tempo ficaria curto para correr atrás do que as rivais já conseguiram.

Reginaldo Leme,

21 de julho de 2012 | 03h39

Daí o destempero de Hamilton, que saiu atirando no próprio pé ao criticar o trabalho de projetistas da sua equipe. Ron Dennis trancou todo mundo sob quatro paredes e o tempo fechou. Pra relaxar, Hamilton resolveu comemorar numa casa noturna de Londres com dez amigas e as fotos invadiram as redes sociais. Nisso ele é sempre campeão. Sabe irritar Ron Dennis como ninguém.

Os dois melhores tempos de ontem não significam sucesso ou fracasso do tal pacote. Foi resultado de apenas uma hora de treino, das três que acontecem na sexta-feira. As duas horas restantes foram de chuva, que é também a previsão para hoje na classificação. Como a possibilidade maior para domingo é de pista seca, seria a segunda corrida consecutiva com os dez primeiros do grid podendo escolher o tipo de pneu para a largada, sem a obrigatoriedade de usar o mesmo da classificação. Lembram-se de Silverstone, onde Alonso, contra a vontade da Ferrari, largou da pole position com pneu duro e liderou 95% da corrida?

A Lotus também trouxe novidades e pode ter chegado a hora de Raikkonen ou Grosjean, que, juntos, já fizeram cinco pódios no ano. Raikkonen é quem mais bateu na trave por já ter chegado duas vezes em segundo lugar (Bahrein e Valência). Pela lógica, depois de Alonso e Webber, o próximo piloto a vencer a segunda no ano deveria ser Vettel. Neste momento a Red Bull tem o melhor carro e está mais do que na hora de Vettel ganhar uma corrida em casa. Praticamente criado em Hockenheim, Nurburgring e outros sete circuitos alemães, e com uma coleção de vitórias enquanto corria nos campeonatos alemães de Fórmula BMW (campeão) e Fórmula 3 (vice), Vettel ainda não pôde comemorar uma vitória na F-1 com sua torcida, como Schumacher fez quatro vezes. O exército alemão neste Mundial é formado por Vettel, Rosberg, Hulkenberg, Glock e Schumacher, guru de todos, que ontem lambeu a barreira de pneus.

Uma vitória da Red Bull seria a lógica. Mas depende de Alonso deixar que as coisas caminhem dentro da lógica. O espanhol, de namorada nova e provavelmente no melhor momento de seus 11 anos de carreira, faz um campeonato impecável. Começou o ano com um carro incapaz de chegar ao Q3, já o levou à pole position e a duas vitórias, orgulha-se de dizer que só cometeu um erro no ano (uma saída de pista no Q2 da Austrália) e lidera o campeonato como o único piloto a pontuar em todas as nove etapas disputadas. Mas o melhor de tudo é a incrível marca de 21 corridas seguidas marcando pontos (de Valência 2011 a Inglaterra 2012).

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