Adnan Abidi/Reuters
Adnan Abidi/Reuters

Para Adrian Newey, não dá para saber se Red Bull seguirá vencendo em 2014

Mudanças no regulamento da Fórmula 1 deixam em dúvida o diretor técnico da equipe

Livio Oricchio, O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2013 | 16h32

NICE - O período de hegemonia na Fórmula 1 de Sebastian Vettel e da Red Bull pode acabar este ano. Não é uma previsão, mas uma possibilidade. Foi dessa forma que o diretor técnico de maior sucesso na história, Adrian Newey, com dez títulos mundiais, reagiu ao abordar o futuro. Domingo, no GP da Índia, Vettel, Newey e a Red Bull conquistaram o quarto campeonato seguido, de piloto e construtores. Sobre se poderia seguir vencendo em 2014, Newey afirmou: “Não é possível saber. É para isso que servem as mudanças de regulamento, não?” A revisão conceitual das regras técnicas da Fórmula 1 no ano que vem, com a reintrodução dos motores turbo, o uso de dois sistemas de recuperação de energia, a limitação do consumo de gasolina nas corridas em 100 quilos, cerca de 30% a menos de hoje, bem como novas restrições aerodinâmicas transformaram o próximo campeonato num grande desafio de engenharia.

"Já passamos por situação semelhante e conseguimos seguir vencendo", disse Newey. Em 2011 o engenheiro aeronáutico projetou para a Red Bull um carro para explorar o conceito do escapamento aerodinâmico. Aproveitava os gases do escapamento para gerar maior pressão aerodinâmica. Vettel dominou o campeonato. Mas em 2012 o recurso foi proibido. Mesmo assim Vettel e a Red Bull foram campeões. “Mas agora não dá para saber." Em 2014 as restrições aerodinâmicas serão grandes. "Não como em 2009", diz surpreendemente Newey. Foi a partir daquela mudança no regulamento, com estimativa de corte de 40% na geração de pressão aerodinâmica, que Newey passou a projetar carros vencedores para a Red Bull. "Antes de 2009 trabalhávamos na mesma receita técnica há dez anos. Não havia o que inventar", comenta o diretor da Red Bull.

Agora em 2014 todos projetistas virão com suas respostas aos desafios do novo regulamento. “Instalar a unidade motriz no carro é muito complicado”, afirma Newey. No ano que vem a FIA define o motor turbo V-6 de 1,6 litro e os dois sistemas de recuperação de energia como “unidade motriz”. E cada piloto poderá dispor de apenas cinco para o ano todo. “O volume e massa da nova unidade motriz é cerca de 50% maior da que utilizamos”, lembra Newey. "Não sabemos qual dos três construtores realizará um trabalho melhor”, diz. Em 2014 a Renault seguirá como parceira da Red Bull e fornecedora da Lotus, Toro Rosso e Caterham. A Mercedes, além de seu time, fornecerá para a McLaren, Force India e Williams. A Ferrari, consigo própria, Sauber e Marussia. "A questão da durabilidade da unidade motriz terá enorme impacto no início da próxima temporada."

Por todas essas variáveis, Newey vê como impossível imaginar quem poderá começar o campeonato em melhor condição. E lembra que a pré-temporada terá somente 12 dias de testes. Serão quatro dias em Jerez de la Frontera, de 28 a 31 de janeiro. E depois haverá duas séries em Bahrein, circuito de alta temperatura, como exige com toda a razão a Pirelli, fornecedora de pneus da Fórmula 1. As datas são estas: de 19 a 22 de fevereiro e de 27 de fevereiro a 2 de março. Para o diretor da Ferrari, Stefano Domenicali, a primeira série de treinos em janeiro será para as equipes fazerem os carros funcionar. “Não estamos falando em performance. É tudo tão complexo que primeiro todos precisarão fazer os carros percorrer vários quilômetros sem parar e então começar a tentar entender como torná-lo mais rápido.”

Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, afirmou ao Estado algo semelhante ao que disse Newey na Índia: “Não dá para dizer que a Red Bull seguirá vencendo como este ano. Não sabemos”. E Ross Brawn, diretor da Mercedes, falou ao Estado: “O Mundial de 2014 não vai começar como este vai terminar. Ao menos não acredito”.

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