Gustau Nacarino/Reuters
Gustau Nacarino/Reuters

Para Ecclestone, se há um culpado no teste de pneus é a Mercedes

Dirigente da Fórmula 1 não hesitou em acusar a direção da equipe no caso

Livio Oricchio - Nice,

14 de junho de 2013 | 13h53

NICE - Bernie Ecclestone, sócio e diretor executivo da empresa que detém os direitos comerciais da Fórmula 1, o grupo inglês de investimento CVC, não hesita em acusar a direção da equipe Mercedes no caso do teste de pneus para a Pirelli, de 15 a 17 de maio, em Barcelona. O regulamento proíbe testes, em especial com os carros da temporada, como fez a escuderia alemã.

O tema é bastante polêmico porque a Pirelli enviou requisição à Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e recebeu a autorização para o teste de mil quilômetros, com os atuais modelos. A Fia fez, no entanto, uma exegência: todos deveriam ter a mesma oportunidade. Ross Brawn, diretor técnico da Mercedes, e Paul Hembery, diretor de competições da Pirelli, basearam-se nessa autorização e realizaram o teste no Circuito da Catalunha.

Tanto a empresa italiana tinha necessidade de fazer o ensaio como a Mercedes. A Pirelli precisava entender as reais solicitações dos pneus, notadamente os traseiros, num carro de 2013, muito mais exigente que o monoposto que usa para os testes, de 2010. E o time de Lewis Hamilton e Nico Rosberg viu no treino privado a chance de reduzir suas dificuldades com o desgaste elevado dos pneus.

Dia 20, quinta-feira, em Paris, a direção da Mercedes e da Pirelli vão se defender da acusação feita pela Red Bull e Ferrari de não respeitarem o regulamento. Christian Horner, diretor da Red Bull, explicou que sua queixa é com o time alemão, apenas. O Tribunal Internacional da FIA julgará o caso. E pode até mesmo sentenciar uma pena aos acusados se considerar que houve desrespeito ao regulamento assinado por todos os chefes de equipe sobre a proibição de testes durante o campeonato.

Em entrevista a SpeedTV, da Inglaterra, Ecclestone afirmou: "Se você me oferece uma mercadoria roubada cabe a mim decidir de a aceito ou não". O dirigente defendeu a fornecedora de pneus da Fórmula 1. "A Pirelli fez a coisa certa (ofereceu o teste a Mercedes). Eles não poderiam resolver o problema dos pneus (sem o teste com um carro deste ano). Se tivéssemos testes na Fórmula 1, como deveríamos, essas dificuldades não existiriam."

Como desdobramento já desse episódio do teste da Mercedes os chefes das escuderias assinaram um acordo, domingo, no Canadá, para realizar quatro sessões de dois dias de testes cada em 2014.

Antes de pensar no próximo GP da temporada, em Silverstone, Inglaterra, dia 30, oitavo do calendário, as atenções da Fórmula 1 são se concentrar no julgamento da Mercedes e Pirelli em Paris. A FIA não está numa situação confortável. Pirelli e Mercedes têm em mãos a liberação para o teste com carros deste ano.

Ambas falharam, porém, no pre-requisito de estender o teste a todos os times. Depois do ensaio, no domingo do GP de Mônaco, quando o escândalo veio à tona, Hembery disse ao Estado: "Quem desejar realizar o teste de mil quilômetros deve nos procurar para o agendamento. Nós também temos interesse nele", como forma de deixar claro que o direito era extensivo as demais dez equipes da Fórmula 1.

Se Hembery tivesse deixado claro, oficialmente, a disposição da Pirelli de realizar o mesmo experimento com os demais concorrentes, o que vai ao encontro dos interesses de todos, nada disso estaria ocorrendo. É por isso que se comenta na Fórmula 1 que no caso de punição a Mercedes e advertência a Pirelli os seus dois líderes serão substituídos: Ross Brawn e Paul Hembery.

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