Para os italianos, Raikkonen deve ser anunciado em breve pela Ferrari

Se confirmado, a relação com Alonso é desde já uma das atrações da próxima temporada

Livio Oricchio - Enviada Especial, O Estado de S. Paulo

10 de setembro de 2013 | 15h55

Para os italianos, se ainda havia uma ponta de dúvida sobre quem seria o companheiro de Fernando Alonso, em 2014, agora já não mais existe: será mesmo o finlandês Kimi Raikkonen, que entre 2007 e 2009 competiu pela Ferrari, sendo campeão na primeira temporada.

O diário esportivo Gazzetta dello Sport, pertencente ao Grupo Fiat também, como a Ferrari, publica na edição de amanhã, quando é esperado o anúncio oficial, que uma nova fase se inicia na escuderia de Maranello: a de disputar o Mundial com dois campeões do mundo.

Até a corrida de Monza, domingo, a escolha não havia sido feita, se é mesmo que Raikkonen ganhou a concorrência. Mas é provável que na cabeça do presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, aquele mesmo piloto que chamou, no fim de 2009, para dizer que não respeitaria o contrato, portanto estava sendo dispensado, Raikkonen, represente hoje, a melhor opção para sua equipe.

Em 2010, o finlandês foi substituído por Fernando Alonso. Agora, Raikkonen está de volta, conforme se espera, para ser o companheiro do espanhol. E chega recepcionado da pior maneira possível por Alonso, que disse, na Bélgica, quando seu nome surgiu como candidato à vaga de Massa: “Kimi? Por quê? Quando passou por aqui era mais lento que Felipe”

O mesmo Alonso deverá cumprimentá-lo, agora, na quinta-feira, dia 19, no paddock do circuito de Cingapura, por ter sido o escolhido de novo por Montezemolo. E a partir do fim do campeonato, em seguida ao GP do Brasil, dia 24 de novembro, compartilhar o extensíssimo programa de simulação da escuderia, como preparação para a mais complexa temporada da história da Fórmula 1, a de 2014, quando uma nova era tecnológica entra em cena.

A última vez que a Ferrari teve dois pilotos potencialmente capazes de disputar o mesmo espaço foi no distante 1990. O francês Alain Prost, já três vezes campeão do mundo, 1985, 1986 e 1989, teve como companheiro o inglês Nigel Mansell.

E o “Leão”, apelido de Mansell, nessa época ainda rugia pouco, haja vista que terminou o campeonato com 37 pontos, na quinta colocação, enquanto Prost disputou o título com Ayrton Senna, da McLaren, até a penúltima etapa, em Suzuka, no Japão. Mansell conquistaria o título apenas em 1992, pela Williams.

Se for mesmo esse o desfecho da história, como afirma a Gazzetta dello Sport, então haverá uma reação em cadeia no mercado de pilotos. Até o GP da Itália, o alemão Nico Hulkenberg, da Sauber, representava a segunda opção para Montezemolo. E quase ninguém acreditava mais ser possível a Felipe Massa ganhar mais um ano de contrato.

Uma vez Raikkonen ficando com a vaga de Massa, Hulkenberg deve ser chamado por Eric Boullier, da Lotus, para mais uma rodada de conversas. É o preferido do francês para substituir Raikkonen.

Sabe-se que Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, diante de o Brasil ser uma peça importante dos seus interesses, está tentando fazer com que Massa permaneça na Fórmula 1, ou mesmo o competente brasiliense Felipe Nasr, da GP2, possa estrear na competição em 2014.

A eventual confirmação de Raikkonen pela Ferrari pode ser a garantia de emoções mais fortes em 2014, um tanto ausentes este ano. A Ferrari não tem histórico de contar com dois pilotos capazes de serem campeões do mundo, caso o carro corresponda. E seu diretor, Stefano Domenicali, não é o líder forte necessário para administrar relacionamentos difíceis, capazes de comprometer os resultados da equipe.

Alonso não admite que um piloto possa ser mais eficiente que ele com o mesmo carro. É impressionante como se perde emocionalmente. Se o campeonato de 2014 começar com Raikkonen na frente, e o finlandês tem talento para isso, é de se esperar que o espanhol desencadeie reações semelhantes às de 2007, em que o veloz Lewis Hamilton foi seu companheiro na McLaren e, apesar de estreante, liderou boa parte do campeonato.

O elenco de pedidos de Alonso está pronto caso Raikkonen, se confirmado, for mais eficiente: o acerto que definir para o seu carro não mais poderá passar para o grupo que trabalha no carro do finlandês. Domenicali deverá escalá-lo para a maioria dos oito dias de testes que a Fórmula 1 fará em 2014. Os novos componentes devem primeiro ser testados por ele, por conhecer melhor a equipe, afinal está lá desde 2010, dentre outros.

Mas Alonso é igualmente capaz de se impor na disputa interna com Raikkonen, não se desequilibrar e disputar uma grande temporada, vencendo a concorrência interna. Para isso basta não se sentir ameaçado. Como acontece com Felipe Massa.

A contratação de Raikkonen – ainda não oficial – revela outra mudança na filosofia gerencial da escuderia italiana. Montezemolo e Domenicali não mais deixam a chave da sede, em Maranello, nas mãos de Alonso, como faziam até antes do GP da Hungria e com Michael Schumacher, de 1996 a 2006. Seu empresário, Luis Garcia Abad, o ofereceu a Christian Horner, diretor da Red Bull, e Alonso criticou pesadamente seu time.

A direção da Ferrari perdeu a confiança no seu piloto. A chegada de Raikkonen é uma resposta à quebra do vínculo quase simbiótico que havia entre a escuderia e Alonso. Não mais vencem e perdem juntos.

Se o espanhol por acaso encontrar alguém que pague a multa rescisória do seu contrato, com prazo de vencimento no fim de 2016, algo bem pouco provável, e resolva deixar a Ferrari, Montezemolo e Domenicali já têm um campeão do mundo, em grande fase, pronto para corresponder na pista. Alonso poderia fazer falta, é um piloto absolutamente brilhante, mas não seria imprescindível, como hoje.

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