Daniel Ochoa de Olza/AP
Daniel Ochoa de Olza/AP

Para Schumacher, Massa pode voltar ainda mais veloz

Também vítima de acidente, em 1999, heptacampeão se diz surpreso com a recuperação do 'irmão mais novo'

Lívio Oricchio, O Estado de S. Paulo

22 de agosto de 2009 | 17h14

VALÊNCIA - Michael Schumacher tem um irmão mais novo e poucos sabiam: Felipe Massa. Foi o que o piloto de maior sucesso na história da Fórmula 1 afirmou neste sábado, no circuito de Valência, depois do treino que definiu o grid do GP da Europa, com Lewis Hamilton, da McLaren, na pole position. “Fiquei muito chocado com o que aconteceu com meu irmão mais novo. Mas ao mesmo tempo estou entusiasmado com a sua recuperação.” Afirmou mais: “Pode voltar ainda melhor de antes”.

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Depois do ocorrido na classificação do GP da Hungria com Massa - seu capacete chocou-se contra uma mola que se soltou do carro de Rubens Barrichello -, Schumacher contou que manteve contato permanente com Stefano Domenicali, diretor da Ferrari. “Nunca vi com minha experiência na Fórmula 1 algo semelhante, muito estranho, absurdo o que Felipe passou. Falei com ele ainda hoje, sentimos sua falta.”

Uma semana depois do acidente, Michael Schumacher esteve no Hospital Militar de Budapeste para visitar o amigo. “Ele me disse para não me preocupar, não era um problema, falou que estaria aqui em Valência, estava muito otimista”, conta o alemão, rindo. “É natural, piloto quer sempre voltar o mais rápido."

Em 1999, Schumacher se acidentou no GP da Grã-Bretanha e só retornou na etapa de Sepang, na Malásia, seis corridas depois. “Conversamos bastante sobre isso, passei minhas emoções a ele e acho que ajudou um pouco. Se você é um esportista, quer retornar a fazer o que fazia antes assim que possível.’’ Nessa época, o piloto sete vezes campeão do mundo permaneceu em casa, na Suíça, com as pernas engessadas, por ter fraturado as duas, tendo passado também por cirurgia.

O “irmão mais velho” de Massa, hoje com 40 anos, encheu a boca para falar do que pode acontecer quando Massa sentar no cockpit da sua Ferrari: “Não tenho a menor dúvida de que volta com a mesma força no mínimo. Posso até dizer por ter acontecido isso comigo que, depois de um período de fora, esse refresco funciona como um estímulo e você se torna ainda mais competitivo.’’ O plano de Massa é poder regressar no GP do Brasil, 16.º do calendário, dia 18 de outubro.

Por muito pouco Schumacher não substitui Massa. Dores fortes no pescoço decorrentes do acidente de moto, em fevereiro, impediram o alemão de voltar à Fórmula 1. “Com a amizade que temos, imagine o quanto não falamos a esse respeito. Depois não me foi possível voltar."

A amizade entre ambos de novo é abordada por Schumacher: “Eu vinha de uma relação com o ex-companheiro (Rubens Barrichello) difícil, complicada. Já Felipe sempre foi objetivo, mostrando-se disposto a ouvir, aprender. Era como meu melhor amigo do meu lado pronto para aprender."

Massa surpreendeu Schumacher nessa época. “Ele me venceu e me senti orgulhoso. Sabia que na hora certa eu lhe cederia meu cockpit, tinha talento e espírito jovem para dar continuidade ao nosso trabalho.” A forma de Massa encarar os desafios até inspirou Schumacher: “Ele sempre foi calmo, suas atitudes são de uma pessoa relaxada. Eu, ao contrário, tinha dúvidas, estive por vezes inseguro. Foi bom ver a sua reação. Disse a mim mesmo se ele pode ser assim eu também posso." Massa já ouviu do amigo: “Não importa quando for, assim que ele puder voltar a pilotar lá estarei para apoiá-lo."

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