Período de testes já preocupa a F1

O anúncio, sexta-feira, da contratação do brasileiro Luciano Burti como piloto de testes da Ferrari, para trabalhar ao lado do italiano Luca Badoer, apenas confirma o que já se suspeitava antes mesmo de a temporada terminar, dia 14 de outubro, no Japão: as equipes da Fórmula 1 estão preocupadas com o pouco tempo de treinamento entre o lançamento dos novos modelos e a estréia no Mundial 2002, dia 3 de março na Austrália. Ferrari, Williams e McLaren terão, além de seus dois pilotos titulares, dois pilotos de testes. "É muito bom ter dois meses e meio de férias", disse o brasileiro Rubens Barrichello, da equipe Ferrari. "Mas é verdade também que existem os que acreditam que alguns carros podem ter problemas até de segurança em razão da redução dos treinos", lembrou Rubinho. Este ano, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) proibiu os testes no período entre a última etapa do campeonato e 1º de janeiro de 2002. Max Mosley, presidente da entidade, afirmou que estava atendendo a uma reivindicação das equipes médias e pequenas. "Elas alegam que com isso haverá maior disputa, ao menos na fase inicial do Mundial." O bicampeão da Fórmula Indy, Gil de Ferran, comentou que a conseqüência da medida será oposta à esperada. "Por dispor de maior capacidade de investimento e recursos técnicos, os melhores times vão aumentar ainda mais a diferença de desempenho para os demais", previu o piloto brasileiro. A maioria das 12 equipes que irá disputar o Mundial de F1 vai apresentar seus modelos 2002 em janeiro. Como o embarque dos equipamentos para Melbourne, para a primeira etapa do calendário, será dia 20 de fevereiro, haverá, em média, um mês para treinamentos. "Seria um tempo até razoável se os novos carros não apresentassem problemas", afirmou Rogério Gonçalves, engenheiro da Petrobrás, a fornecedora de combustível da Williams e de óleo para a Jordan. "Às vezes, um time é obrigado a cancelar alguns dias de testes para permanecer na fábrica, resolvendo questões sérias do projeto." Além do colombiano Juan Pablo Montoya e do alemão Ralf Schumacher, a Williams contará com o trabalho do espanhol Marc Gené e do Antonio Pizzonia, brasileiro da Fórmula 3000. A Ferrari terá o alemão Michael Schumacher, Rubens Barrichello, Luciano Burti e Luca Badoer para desenvolver seu carro, o que parece reforçar a tese de Gil de Ferran. Os mais ricos irão compensar a falta de dias de treinos com um programa de experimentos bem mais amplo no período de testes. "Vamos gastar mais com sistemas que permitam simular na nossa sede algumas condições dos treinos do que se pudéssemos trabalhar nos autódromos", afirmou em Indianápolis Ron Dennis, sócio da McLaren. Ele é contra a proibição dos testes no fim de ano. Já Paul Stoddart, sócio da Minardi, argumenta que se não existisse essa restrição, haveria uma diferença enorme entre as horas de pista do novo carro da McLaren e o da sua equipe. "Um time pequeno necessita de um tempo muito maior que um grande para produzir seus carros ou mesmo peças de reposição."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.