Foto: Bruno Terena/RF1
Foto: Bruno Terena/RF1

Perto de completar 300 provas na Stock Car, Cacá Bueno relembra momentos marcantes da carreira

Piloto revive algumas de suas histórias nas pistas ao chegar à marca tão expressiva, recorda cinco episódios que ficaram em sua memória na categoria e conta planos para o futuro

João Paulo dos Santos, Especial para o Estadão

17 de setembro de 2021 | 12h00

As corridas do fim de semana da Stock Car em Goiânia terão um sabor especial garantido para pelo menos um dos pilotos do grid. Cacá Bueno, pentacampeão da categoria, completará 300 largadas oficiais pela competição. "Fico feliz de fazer parte tanto tempo de um campeonato que se mistura um pouco com a minha própria história pessoal. São tantos anos dentro da categoria e esse número é a prova disso", disse o piloto carioca de 45 anos em entrevista ao Estadão.

A marca expressiva é comemorada pelo piloto, mesmo que com uma ‘saudável divergência' referente à contagem oficial e do próprio Cacá Bueno, já que nas estatísticas oficiais, são consideradas apenas as provas de 2002 até a atual temporada. 

Porém, o piloto considera justo incluir também as 20 provas que ele fez entre 1996 e 1997, quando competia na Stock Car, mas contava pontos apenas para a categoria B. A rigor, o carro e o grid eram os mesmos, somente um adesivo de identificação da categoria B o diferenciava das grandes estrelas da época, como Ingo Hoffmann, Chico Serra e Paulo Gomes, por exemplo, com quem também aprendeu muito nas pistas e nos boxes.

Independentemente da contagem de cada um, o certo é que a marca é histórica, já que Cacá Bueno, que é filho do narrador da Globo, Galvão Bueno, se torna o segundo piloto a atingi-la, o único até então com tal número era Ingo Hoffmann, maior vencedor da Stock Car com 12 títulos e 332 corridas disputadas.

Cacá Bueno revela que apesar da divergência de número, ele considera um prazer imenso continuar fazendo parte da categoria e que espera poder se tornar o piloto com maior números de corridas disputadas dentro da Stock Car. Ele, inclusive, relembra que um fato extremamente importante para sua carreira ocorreu em uma corrida que não entra na contabilização geral, sua vitória em 1997 competindo com grandes nomes da categoria.

"O meu primeiro grande momento marcante é a minha vitória de 1997, em cima de Ingo Hoffmann, Chico Serra, Paulo Gomes, em cima de todos os dinossauros da época, correndo no Rio de Janeiro, que é a minha casa. Eu era apenas um garoto tendo de me provar como piloto e venci aquela prova. Essa corrida é extremamente marcante para mim", disse ao Estadão.

O pentacampeão também elenca seus títulos como momentos importantes da sua longa carreira na Stock. Campeão nos anos de 2006, 2007, 2009, 2011, 2012, Cacá destaca seu primeiro título vindo de três vices consecutivos e o segundo por ter conquistado em "casa", no Rio de Janeiro. 

Para falar sobre a conquista de 2009, seu terceiro na Stock, o piloto ressalta a parceria que já completa 17 anos com a Red Bull. Ele aponta naquele ano era o primeiro de uma equipe 100% da empresa patrocinadora, até então uma novidade na categoria. Outro momento marcante lembrado por Cacá diz respeito ao seu último título, em 2012, na Corrida do Milhão. "Eu vou até pular o título de 2011, e comentar do de 2012, que é uma conquista em uma corrida especial, a do Milhão, cheia de alternativas. Eu faço o pit stop e termino sem gasolina. A gente colocou em prática todo o trabalho de equipe e foi uma corrida sensacional". 

Expectativas para Goiânia e o futuro

Cacá também comentou sobre as etapas 8 e 9 do campeonato, que acontecem em Goiânia neste fim de semana. Trata-se de rodada dupla. Para ele, as expectativas são positivas, mesmo sabendo que são provas muito difíceis. Ele lembra a pole position e o segundo lugar conquistados em abril na mesma pista.

"Isso dá para gente um otimismo maior que em outras provas e esperamos continuar com o desempenho que tivemos nas últimas duas corridas da temporada", destaca.

Para o futuro, o piloto carioca diz que sempre existem sonhos e metas a serem alcançadas, e que gostaria de ganhar mais títulos na Stock Car, o que quer dizer que ele não pensa em trocar de categoria no automobilismo por enquanto. "A gente vem de uma montagem de estrutura que pode me levar a isso num futuro próximo, sabia que para 2021 era difícil, mas a gente vem alcançando bons resultados e estando muito mais perto dos ponteiros do que foi no ano passado, por exemplo", ressaltou.

Para isso, ele espera correr mais alguns anos na Stock, e se espelha em Rubens Barrichello, que é quatro anos mais velho, e vem disputando a categoria em alto nível. "Espero nos próximos 3, 4, 5 anos ainda estar andando em alto nível, ganhando corridas, disputando títulos e, se Deus quiser, ganhando pelo menos mais um campeonato." Cacá é desses pilotos que só pensam em andar na frente e subir no pódio.

Com uma grande carreira e na expectativa de correr por mais algumas temporadas, o piloto diz que apenas lamenta não ter um título mundial e não ter participado das 24 Horas de Le Mans em sua trajetória, mas que acredita que dentro da Stock Car ele cumpriu o que queria. "A Stock Car faz grande parte da minha vida e de minha trajetória no esporte. Sou muito grato por tudo o que ela me trouxe".

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