Divulgação/Consórcio Rio Motorsport
Divulgação/Consórcio Rio Motorsport

Petição contra construção de autódromo do Rio mobiliza redes sociais

Local onde deve ser a nova pista de Fórmula 1 é em uma área de Mata Atlântica

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2020 | 08h35

À espera da emissão da licença ambiental prévia, o projeto de construção do novo autódromo do Rio de Janeiro se tornou alvo de uma petição online, que mobilizou as redes sociais nesta terça-feira. A petição, endereçada ao prefeito do Rio, Marcelo Crivella, quer impedir a construção do equipamento esportivo. O autódromo é forte candidato a receber o GP do Brasil de Fórmula 1 a partir de 2021. A hashtag #BrazilSaysNoToDeforestation foi criada para mobilizar mais interessados no assunto.

Se obtiver a licença ambiental, o autódromo será erguido no bairro de Deodoro em área de Mata Atlântica, conhecida por Floresta do Camboatá. De acordo com especialistas, é uma das últimas áreas do Estado do Rio com este tipo de ecossistema. "Precisamos da ajuda de todos que amam a natureza, pois não queremos um autódromo nesta região", diz um dos trechos da petição.

"A Floresta de Camboatá, em Deodoro, é o último lugar de Mata Atlântica de áreas planas do Município do Rio de Janeiro, com nascentes e áreas úmidas. Ela precisa ser protegida!", afirma a petição, criada pela artista plástica e educadora Ana Sonegheti, uma das lideranças do movimento SOS Floresta do Camboatá.

A petição, publicada no site O Bugio, busca obter 20 mil assinaturas. No início da manhã desta terça, se aproximava de 19 mil. Outra petição, no Avaaz.org, tem como título "Pela preservação da Floresta do Camboatá! Que o autódromo seja em outro lugar" e mobilizou mais pessoas. Pelo menos 28,5 milhões já assinaram.

O projeto de construção do autódromo no Rio vai causar 31 impactos ambientais na Floresta do Camboatá, de acordo com a empresa de consultoria ambiental Terra Nova, contratada pela própria Rio Motorsports, vencedora da licitação para erguer o circuito. Segundo o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o seu Relatório de Impacto Ambiental (Rima), elaborados pela Terra Nova, a floresta conta com Áreas de Preservação Permanente (APP) e espécies da fauna e flora em risco de extinção. Os impactos atingem fauna, flora e até aspectos sociais, como aumento da poluição sonora nos arredores do autódromo. São quatro espécies da flora local ameaçadas de extinção e cinco espécies da fauna. No mesmo documento, a Rio Motorsports promete utilizar 810 mil metros quadrados do terreno (o equivalente a 75 campos de futebol) como espaço de preservação ambiental. E sugere que o local seja utilizado para a manutenção do patrimônio biótico, implantação da área de soltura e recuperação de animais silvestres e criação de horto florestal.

Nas redes sociais, nesta terça, o assunto voltou à tona em diversos comentários, sob a hashtag "#BrazilSaysNoToDeforestation". Internautas lembravam declarações de Lewis Hamilton, hexacampeão mundial e maior liderança da Fórmula 1 no momento, sobre a construção do autódromo em Deodoro. "Isso significa que vão derrubar árvores? Não aprovo isso. Temos um país muito bonito aqui, uma floresta importante para o nosso futuro. Temos de focar mais no meio ambiente. Amo o Rio, gostaria de passar mais tempo lá, mas não quero correr em um circuito que prejudicou o meio ambiente, uma terra tão bonita para o nosso futuro", declarou o piloto britânico, em novembro do ano passado.

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