Jakob Ebrey
Jakob Ebrey

Roberto Faria, piloto brasileiro da Academia Sauber, acelera na GB3 e mira entrar na Fórmula 1

Garoto de 18 anos tem entre seus tutores o austríaco Josef Leberer, o mesmo que foi preparador físico de Ayrton Senna por vários anos no automobilismo: "eles falam que a F-1 está atrás de um piloto brasileiro"

Marcio Dolzan / RIO, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2022 | 15h00

Quando tinha seis anos de idade, em uma atividade em sala de aula, Roberto Faria precisou fazer aquela clássica tarefa de desenhar o que gostaria de ser quando crescesse. "Me desenhei em um carrinho de Fórmula 1", recorda. Passados 12 anos, o piloto carioca começa a ver aquele sonho de criança, aos poucos, não parecer tão utópico assim. Piloto da GB3 (antiga F3 inglesa), ele coleciona bons resultados e é atualmente o único brasileiro a integrar a Academia Sauber, tradicional equipe suíça. Por lá, tem entre seus tutores o austríaco Josef Leberer, o mesmo que foi preparador físico de Ayrton Senna por vários anos.

Roberto Faria ocupa atualmente a terceira colocação na GB3, mas poderá até mesmo encerrar a próxima etapa na liderança, quando a competição chega ao famoso circuito belga de Spa Francorchamps - a modalidade é dividida em oito etapas, com três provas cada. Antes, porém, ele aproveitará o fim de semana livre de disputas para acompanhar o GP de Silverstone de F-1 junto com os engenheiros da Sauber. "Vai ser muito bom ver, pela primeira vez, como uma equipe de Fórmula 1 funciona por dentro", disse o piloto ao Estadão.

Natural do Rio, Roberto Faria não vem de uma família de pilotos. O gosto pelos carros surgiu meio que por acaso, depois de tentar outros esportes, como futebol e vôlei. Isso fez com que ele começasse "tardiamente" no kart, tradicional porta de entrada para o mundo do automobilismo. "Fiz meu primeiro treino no kart com 11 anos, quando a maioria começa aos seis", ressalta.

Sem pistas no Rio - o autódromo de Jacarepaguá foi demolido para a construção do Parque Olímpico da Barra -, ele passou a fazer três viagens semanais a Guapimirim para acelerar na categoria. "Eu acordava 5h40, enfrentava 1h30 de trajeto e voltava antes das aulas, à tarde", conta. "Foi assim por dois anos."

No início de 2019, Roberto Faria decidiu largar o kart e se mudar para a Inglaterra, um dos grandes centros do automobilismo mundial. Iniciou na Fórmula 4 britânica, e de lá avançou para a GB3, onde compete pela Carlin. E foi nesta categoria que ele despertou o interesse da Sauber, que o convidou para integrar sua academia de pilotos. O GB3 Championship é uma competição sediada no Reino Unido. É a principal categoria de monolugares da Inglaterra, e voltado para jovens pilotos saindo da Fórmula 4 ou do kart.

FÓRMULA 1

Ainda que se trate de um estágio inicial, integrar a academia da tradicional escuderia encurta muito a distância até a principal categoria do automobilismo mundial. "Há três anos, quando eu estava no kart, Fórmula 1 era algo muito distante. Agora já estou praticamente dentro de uma equipe, conversando com pessoas importantes deste mundo", diz Roberto.

Como integrante da Academia Sauber, ele passa a ter acesso ao paddock da Fórmula 1 e a acompanhar um fim de semana na vida dos pilotos. E, em Silverstone, a experiência ocorre pela primeira vez. "A gente aprende sobre as rotinas deles, porque não é apenas pilotar; tem de dar entrevistas, autógrafos, conversar com engenheiros... Vai ser legal ter esse contato, porque eles têm muita experiência."

E há, ainda, a vivência com profissionais históricos no mundo do automobilismo. "Meu preparador físico é o mesmo que foi preparador físico do Senna", aponta, citando Josef Leberer. "Quando fui pra Suíça no início do ano (para conhecer a Academia Sauber), pousei em Zurique, mas fui a outra cidade fazer os exames. Foi ele (Leberer) que me levou, e a gente foi conversando durante uma hora e meia. Foi bem legal ouvir as histórias do Senna, sobre como ele era dedicado."

É com esse entorno que Roberto Faria espera conseguir, ali na frente, transformar aquele desenho de infância em realidade. "Fórmula 1 é meu objetivo principal. Não depende só de mim, depende de vários fatores, mas um deles é fazer parte de uma academia que suporte", pontua. "A gente conversou no almoço que tive com eles, e me disseram que o fato de eu ser brasileiro era bom, porque a Fórmula 1 está interessada em um piloto brasileiro. Eles falam que sentem falta de um brasileiro no grid."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.