Piloto corre 500 Milhas após seqüestro

O verdadeiro vencedor das 500 Milhas de Kart da Granja Viana não foi Rubens Barrichello nem seus companheiros de equipe, Tony Kanaan e Mário Haberfeld, apesar de terem subido no degrau mais alto do pódio. Quem superou os maiores obstáculos para chegar ao segundo lugar na prova foi o empresário Paulo Rovella, de 47 anos, da equipe Planac/MRD. Seqüestrado em seu escritório no início de outubro, Rovella passou 34 dias no cativeiro. Abatido e 12 quilos mais magro, foi libertado na madrugada da sexta-feira. Passou algumas horas com a família, em casa, e à tarde já estava no kartódromo. Largou na sétima posição, pilotou e subiu ao pódio. As mangas do macacão azul e branco escondiam feridas nos pulsos. Rovella, empresário dos ramos de logística e exportação, passou os 34 dias amarrado com cordas. Ele não gosta de falar sobre o assunto, mas a dieta, exclusivamente à base de arroz e feijão, deixou-o com 12 quilos a menos. Na corrida, perdeu mais quatro. Estes, com satisfação. "Foi uma vitória da união da nossa equipe", dizia neste domingo, ainda traumatizado e tentando minimizar o drama pessoal. Não por acaso, ao final da corrida Rovella recebeu um forte abraço do dono do kartódromo, Zeca Giaffone, que, no ano passado, passou quatro semanas seqüestrado. De forma discreta, o locutor da corrida também saudou "a volta de Paulão", como Rovella é conhecido entre os pilotos. Além de kart, ele corre de Omega, pick-up e Corsa. Quando Paulo Rovella chegou em casa na madrugada de sexta-feira, a mulher e as duas filhas, aliviadas, sugeriram que a família fosse viajar. Seguindo conselhos de amigos que passaram por experiência semelhante, inclusive Giaffone, o empresário foi para a pista. "Precisava voltar para o meu mundo. Estou nas corridas há mais de 30 anos. Todos me disseram que, numa situação como essa, o certo é retomar imediatamente a rotina para esquecer. Na segunda-feira, quero voltar a trabalhar. No feriado, se der, vou viajar."

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