Piloto faz a defesa do meio-ambiente

Por sua origem, o amazonense Antonio Pizzonia é conhecido no meio do automobilismo como "Jungle Boy". O apelido de "Garoto das Selvas", no entanto, cairia muito bem em outro brasileiro que disputa a Fórmula 3000. Ao invés de logotipo de patrocinador, o paulista Mário Haberfeld, piloto da equipe Super Nova, circula pelos boxes de Interlagos com a camiseta da Fundação S. O. S. Mata Atlântica, organização não-governamental que se dedica à preservação do meio-ambiente. Em seu capacete também está estampado o tradicional símbolo dessa ONG - uma bandeira brasileira sem parte do retângulo verde, numa alusão à devastação das florestas. "No Brasil, a cada hora desmata-se o equivalente a três campos de futebol. Se todos fizessem um pouco, essa situação mudaria", ensina. Haberfeld é um entusiasta da S.O. S. Mata Atlântica. Além de propaganda, ele faz palestras e divulga o trabalho da fundação. "A preocupação dos europeus com a desvastação ambiental no Brasil é muito grande. Todo mundo me pergunta o que está sendo feito pela preservação das florestas no Brasil". Paulistano, Haberfeld mora em Cambridge, na Inglaterra, mas passa dois meses por ano em sua casa, em São Paulo. Nesse período, participa de palestras da fundação, principalmente em escolas e empresas. Esse trabalho, segundo ele, não se relaciona a patrocínio. "Faço porque gosto. O símbolo da fundação está só no meu capacete e macacão. Não posso colocar no carro justamente porque não é um patrocinador." Chuva e trabalho - Haberfeld foi um dos pilotos que acompanharam o trabalho das equipes da Fórmula 3.000 nos acanhados boxes do kartódromo de Interlagos. A corrida, primeira da categoria no Brasil, terá largada às 15h30 de sábado e abre o campeonato de 2001. Os treinos classificatórios estão marcados para as 14h30 e 15h45 de sexta-feira. O trabalho de montagem dos carros começou ontem e acabou prejudicado por uma forte pancada de chuva no meio da tarde. A drenagem na área dos boxes funcionou razoavelmente, mas pontos como a região dos escritórios e do restaurante ficaram alagados. A Fórmula 3000 sempre foi considerada o último degrau para os pilotos que sonham com a Fórmula 1. Nos últimos anos, porém, a principal categoria do automobilismo tem buscado revelações em categorias como a Fórmula 3 inglesa. O regulamento em vigor na Fórmula 3000 barateou os custos para as equipes, mas empobreceu tecnicamente a categoria. Hoje, cada equipe gasta cerca de US$ 3 milhões por temporada, com dois pilotos. Há seis anos, o orçamento era pelo menos o dobro. Prost, Benetton, Minardi e Williams (Petrobrás Junior) mantêm equipes na Fórmula 3000. Por força do regulamento, todas usam o mesmo conjunto mecânico: chassis Lola, pneus Avon e motores Zytek. O propulsor é um V8, aspirado, construído sobre a base do antigo Judd de Fórmula 1. O motor desenvolve cerca de 450 cavalos e é limitado a 9 mil giros. Essa potência representa quase a metade dos 800 cavalos de um Fórmula 1. Os períodos de testes também são limitados para que as equipes concorram em igualdade de condições. Com tantas restrições, resta às equipes trabalhar apenas nas suspensões dos carros e em regulagens de spoiler e aerofólio. O abismo entre a atual Fórmula 3000 e a Fórmula 1 pode ser notado pela organização dos boxes. O ambiente, informal, lembra muito o da Fórmula Indy, com caixas de ferramentas espalhadas pelo chão, chassis sobre o cimento e um toque de desorganização. Apesar das limitações, muitos pilotos confiam em chegar ao topo do automobilismo por essa porta. Além de Haberfeld e Pizzonia, o Brasil tem Ricardo Sperafico e Jaime Melo Júnior na categoria. "Acredito que a Fórmula 3000 continua sendo a principal opção para quem quer chegar à Fórmula 1", diz Haberfeld. O argentino Nicolas Filiberti, piloto da Prost Junior Team, tem a mesma opinião. "Nosso trabalho é muito observado". Uma das principais preocupações dos pilotos é conhecer a pista. A maioria nunca correu em Interlagos. Haberfeld disputou apenas uma prova, e de Fórmula Ford. Filiberti fez um teste em Interlagos no mês de janeiro, num carro da Cesário Fórmula, de Augusto Cesário Neto, o Formigão. "Vai ser uma corrida interessante e, por ser novidade para todos, nivelará as equipes. Estou torcendo para que chova. Gosto de correr debaixo d´água", disse o argentino.

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