Pilotos comentam ordem da Ferrari

O assunto mais discutido depois da corrida, neste domingo, não era a vitória de David Coulthard, da McLaren, mas a ordem de equipe dada pela Ferrari a Rubens Barrichello para deixar Michael Schumacher ultrapassá-lo. O colombiano Juan Pablo Montoya, como sempre, deixou claro o que pensa: "Uma ordem dessas tão cedo no campeonato é ridícula. Isso apenas prova que a Ferrari não é equipe para nenhum piloto enquanto Schumacher estiver lá." Outro desafeto do alemão, Jacques Villeneuve, da BAR perguntou aos jornalistas que lhe questionavam sobre o fato: "Eu não entendo esse tom de surpresa de vocês. Rubens sabia antes de assinar que seria assim.Com Michael na equipe tudo deve ser voltado para ele." Há quem tenha preferido os discursos filosóficos, como o diretor-técnico da McLaren, vencedora do GP da Áustria, Adrian Newey: "É contra a ética no esporte." A Ferrari se defende. Jean Todt, diretor esportivo, quem deu a ordem, comenta: "O futuro dirá se acertamos ou não em dar a Michael esses dois pontos." Se o alemão ficasse em terceiro, somaria 4 pontos. Como acabou em segundo, somou 6. "Cada equipe tem a sua forma de ser administrada. Essa é a da Ferrari e não temos nenhuma dívida com Rubens por causa disso."O assessor de Todt, Claudio Berro, falando em seu nome, afirmou: "Se Rubens estivesse em primeiro e Michael em segundo, nós garantimos que não pediríamos para os dois trocarem de posição." A alegação de Berro é que, nesse caso, Coulthard estaria em terceiro, atrás da Ferrari. Mas o assessor de Todt também deixou claro: "Essa decisão marca o início de uma nova fase no campeonato, a de que Rubens a partir de agora trabalhará para Michael ser campeão." Depois de dizer uma coisa e em seguida cair em contradição, afinal não tirariam a vitória de Rubinho, mas não deixaram que fosse segundo, Berro argumentou que a diferença de pontos na classificação justifica a decisão. Schumacher lidera o Mundial com 42 pontos enquanto David Coulthard está em segundo, com 38. Rubinho ocupa a terceira colocação, com 18.Não há unanimidade quanto a Ferrari ter errado neste domingo. "E se eles perderem o título por causa de dois pontos?" questiona Pedro Paulo Diniz, sócio da Prost. "Schumacher tem mais pontos, o que Rubens queria?" diz Niki Lauda, principal dirigente da Jaguar. "Como Coulthard venceu, a Ferrari procurou dar o máximo de pontos a Schumacher, o que é lógico", completou Lauda. Embora definindo como "página negra para o esporte" o procedimento dos dirigentes da Ferrari, Pino Allievi, jornalista que há 30 anos cobre o Mundial para a Gazzetta dello Sport, não discorda da política de Jean Todt. "Rubens poderia ter vencido por meios próprios, como não ocorreu, é lógico que a equipe pense em somar o máximo de pontos."Mais opiniões favoráveis ao brasileiro: "Criar uma animosidade tão grande entre os seus pilotos, por causa de dois pontos e tão no início da disputa só pode ser bom a um interessado, nós mesmos, da McLaren", lembrou rindo Jo Ramirez, do time inglês. Luciano Burti destacou que se Rubinho não tivesse atendido à ordem de deixar Schumacher passar o preço seria alto: "Na próxima corrida ele não estaria mais na equipe." Para o italiano Jarno Trulli, da Jordan, as regras na F-1 são explícitas: "Temos de aceitar tudo mesmo". Já o jovem Fernando Alonso, da Minardi, também cotado para um dia trabalhar na Ferrari, comentou: "Decisão estranha, é muito cedo para definir quem será o campeão do mundo. Rubens também pode ser campeão. Não gostaria de estar no seu lugar."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.