Nigel Roddis/AP
Nigel Roddis/AP

Pilotos da F-1 exigem mudanças urgentes nos pneus

Tema será discutido na próxima reunião da FIA com os representantes de todas as escuderias

Livio Oricchio,

30 de junho de 2013 | 14h45

SILVERSTONE - As cerca de 100 mil pessoas que lotaram as arquibancadas do belo e amplo circuito de Silverstone e milhões de telespectadores no mundo todo assistiram ao GP da Grã-Bretanha, hoje, entusiasmados com os lances de fortes emoções apresentados, pois a corrida teve de tudo.

Ao mesmo tempo, porém, os fãs da Fórmula 1 ficaram um tanto apreensivos, em especial a partir da oitava volta, quando Lewis Hamilton, da Mercedes, líder até então, teve o pneu traseiro esquerdo dechapado num trecho de alta velocidade.

Seu companheiro, Nico Rosberg, venceu depois de o líder, Sebastian Vettel, da Red Bull, abandonar na 42.ª volta de um total de 52 por causa da quebra do câmbio.

O clima tenso cresceu duas voltas apenas depois do ocorrido com Hamilton. No mesmo lugar, na saída da veloz curva 5, Felipe Massa perdeu o controle da Ferrari e foi parar na área de escape, pela mesma razão de Hamilton, a perda da banda de rodagem do pneu traseiro esquerdo.

Ficou claro para todos, em especial os profissionais da Fórmula 1, que o problema não era um episódio isolado, haja vista que na 14.ª volta o francês Jean Eric Vergne, da Toro Rosso, passou pelo mesmo susto: seu pneu traseiro esquerdo dechapou de um instante para o outro.

A prova prosseguiu com outros acidentes tão espetaculares quanto perigosos, uma vez que a média horária nos 5.891 metros do traçado inglês é de 225 km/h. Na 27.ª volta, o mexicano Steban Gutierrez, da Sauber, perdeu o pneu dianteiro esquerdo por delaminação também, assim como o outro mexicano, Sergio Perez, da McLaren, teve o traseiro esquerdo dechapado na maior reta de Silverstone, na 46.ª volta.

"Se tivessem interrompido a corrida por razões de segurança eu teria compreendido perfeitamente", disse Felipe Massa, da Ferrari, uma das vítimas, sexto colocado. Talvez fosse mesmo o mais sensato a ser feito.

Os engenheiros passaram a enviar mensagens a seus pilotos para que evitassem passar sobre a zebra das curvas 3 e 4, pois havia a suspeita de que elas estivessem por detrás daqueles acidentes. "Eu não creio nisso, elas são baixas, não as tocamos com agressividade e são as mesmas de anos anteriores", afirmou Fernando Alonso, da Ferrari, terceiro colocado. Massa concordou: "100%. Temos um problema de segurança que precisa ser resolvido urgente".

Ao ser questionado sobre como era continuar correndo depois de um pneu dechapar a 250 km/h, já que voltou aos boxes, substituiu a roda danificada e regressou à competição, num circuito onde as velocidades passam dos 300 km/h, Massa comentou: "Esse é o meu trabalho, continuei acelerando tudo, mesmo caindo para a última colocação. Quanto à segurança, deixo nas mãos de Deus, ele sabe o que faz".

Apesar de a Pirelli distribuir em Silverstone os pneus mais duros de sua gama, os duros e os médios, eles dechaparam. Paul Hembery, diretor da empresa, disse neste domingo que não poderia dizer muito porque teria de investigar a causa, "uma novidade" para eles.

Hembery vem lembrando, com frequência, que solicitou para mudar os pneus atuais. Mas por ser necessário que todos os times concordem com a mudança e Lotus, Force India e Ferrari não concordaram, a Pirelli foi obrigado a prosseguir fornecendo os mesmos pneus que já haviam manifestado dificuldade semelhante.

Massa e Hamilton tiveram delaminação no GP de Bahrein e Paul Di Resta no da Espanha.

O presidente da FIA, Jean Todt, presente no GP da Grã-Bretanha, disse que o importante tema será discutido quarta-feira numa reunião com os representantes de todas as escuderias e o diretor da Pirelli. "Precisamos mudar a regra que exige que haja unanimidade entre as equipes para que o regulamento mude durante o campeonato. Bastaria a maioria concordar."

A Pirelli não forneceu pneus de outra construção, como desejava, por isso. "Desenvolvemos nossos pneus num carro de 2010, enquanto as exigências dos modelos atuais é muito maior. E não podemos testar com os modelos deste ano. Mostramos ser necessário rever os pneus, mas os times que melhor administram o seu consumo não concordaram, porque perderiam sua vantagem", comentou, indignado, em Montreal, para o Estado, Hembery.

Com a alteração proposta pelo presidente da FIA o regulamento deve mudar nos próximos dias e a Pirelli poderá distribuir novos pneus, construídos de forma distinta, para o GP da Hungria, dia 28, décimo do calendário. Para a próxima corrida não será possível em razão de ser já domingo, em Nurburgring, onde será disputado o GP da Alemanha. Ontem os mecânicos desmontavam tudo rapidamente para seguirem nos caminhões para a Alemanha.

Stefano Domenicali, diretor da Ferrari, falou a esse respeito estar tranquilo quanto à segurança em Nurburgring: "É uma pista bem diferente da de Silverstone, submete os pneus a esforços bem menores". A Pirelli levará para o GP da Alemanha médios e macios.

O que ficou claro depois dos sustos de Silverstone foi a necessidade urgente de a Pirelli realizar testes com os carros atuais, levantar dados e então construir pneus mais resistentes às severas exigências dos modelos 2013. É uma questão de segurança.

Hamilton e Massa definiram suas perigosas experiências, no GP da Grã-Bretanha, como "inaceitáveis". A associação dos pilotos, GPDA, deve manifestar-se a esse respeito já amanhã e exigir que a Pirelli possa mudar os pneus. "O que estão esperando, que aconteça algo mais sério para rever essa situação?", afirmou Hamilton.

Já Massa lembrou que se seu pneu tivesse dechapado na veloz curva Eau Rouge do circuito de Spa-Francorchamps, na Bélgica, por exemplo, "nem sei o que poderia acontecer". Diferentemente de Silverstone há pistas onde as áreas de escape de algumas curvas é muito pequena, como a Eau Rouge e várias do autódromo de Suzuka, no Japão. "Essas coisas não podem ocorrer nesses circuitos", afirmou Massa.

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