Pilotos da Ferrari tensos para Mônaco

Os ensinamentos com o ocorrido na Áustria foram grandes, disseram nesta quarta-feira Rubens Barrichello e Michael Schumacher, da Ferrari, preocupados com a reação do público, nesta quinta-feira, durante a realização dos primeiros treinos livres do GP de Mônaco, sétima etapa do Mundial. "Claro que, agora, iremos discutir antes o que fazer na pista", disse o brasileiro que nesta quinta-feira completa 30 anos. Já Schumacher contou ter se sentido sozinho em Spielberg e que "quando o jogo está duro", referindo-se ao bom momento de Barrichello, "os duros se manifestam", pretendendo dizer que as excepcionais performances do companheiro terão uma resposta.Parte significativa da imprensa, representando o pensamento de milhões de cidadãos no mundo todo, desejava saber de Barrichello, nesta quarta-feira, se domingo, dependendo da colocação na prova, agirá como na Áustria, quando deixou Schumacher vencer. O piloto foi evasivo. "Não quero pensar nisso. Sempre entro no meu carro com o objetivo de ganhar a corrida. Vamos aguardar e ver como as coisas irão se desenvolver."No fundo, o piloto tem consciência de que se a situação de Spielberg se repetir, terá de novo de "trabalhar em equipe." Mas Barrichello não desiste: "Minha hora na Ferrari está chegando. Neste instante o que devo fazer é cumprir ordens, não desperdiçar a chance de pilotar para a Ferrari e continuar determinado."O minuto de vaia que os jornalistas lhe ofereceram na Áustria seguido de novas vaias, da torcida, quando deixou a sala de imprensa, parecem ter afetado Schumacher. "As pessoas esquecem-se de que já conquistei muita coisa sozinho na Fórmula 1. Senti-me completamente só naquele momento."A ameaça de perder os pontos da corrida, por ter ocupado lugar que não era seu no pódio não o preocupa. "Desloquei Rubens para o primeiro lugar, assim como lhe dei o troféu do vencedor porque de fato ele foi, para mim, o vencedor."Justificativa - Dia 26 de junho os dois pilotos e a direção da Ferrari terão de se explicar diante do Conselho Mundial da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), em Paris. "Basicamente iremos lá para responder às perguntas", disse Barrichello.Os dois sabem que a FIA muito dificilmente irá impor qualquer tipo de sanção mais séria à equipe que sempre a apoiou em tudo. "Não há nenhuma razão para pedir desculpa ao público", comentou Schumacher, que disse esperar algumas reações adversas nesta quinta-feira nas arquibancadas.Ele reconheceu que nas últimas etapas o brasileiro tornou-se um adversário difícil de ser superado. "Não me surpreendo, mas é nessas horas que você deve exigir ainda mais de si. É um desafio que gosto."Barrichello condicionou o comportamento da torcida com o resultado da corrida. "Se eu largar na pole position e vencer, as pessoas refletirão ainda mais sobre o GP da Áustria. Mas se não for o caso, elas irão se esquecer facilmente daquela prova."Perguntaram a Barrichello se ele preferia oferecer o máximo de resistência a Schumacher ou trabalhar para o companheiro concluir logo a conquista do título para que passasse a ajudá-lo a vencer Juan Pablo Montoya, da Williams, na luta pelo vice. Desta vez a reposta foi objetiva: "Essa é uma visão muito futurista. Eu vivo o dia a dia. Estou bastante orgulhoso de meu estágio atual e quero continuar acordando e acreditando que vou estabelecer a pole e vencer a prova."Depois falou mais: "Eu guiei tantos anos carros ruins na Fórmula 1. Agora disponho de um que é fantástico, deixa eu aproveitá-lo."

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