Nicolas Bouvy/EFE
Nicolas Bouvy/EFE

Pilotos exigem garantias de segurança ao delegado da FIA

Equipes temem que problemas com pneus em Silverstone possam se repetir no GP da Bélgica

LIVIO ORICCHIO , O Estado de S. Paulo

23 de agosto de 2013 | 16h08

SPA - Quando o tricampeão do mundo, Sebastian Vettel, da Red Bull, reduziu a velocidade do carro por causa de o pneu traseiro direito do seu carro ter dechapado, faltando 19 minutos para o encerramento da sessão livre da tarde, pilotos, engenheiros e dirigentes ficaram com receio de que os problemas de pneus ocorridos no GP da Grã-Bretanha, em Silverstone, dia 30 de junho, possam se repetir no GP da Bélgica.

 

O circuito de Spa-Francorchamps tem algumas semelhanças com Silverstone, local da prova na Inglaterra. Há várias curvas de alta velocidade e longas, o que expoe os pneus a esforço maiores de traçados como o da etapa anterior, na Hungria.

Além de Vettel, o bicampeão do mundo Fernando Alonso, da Ferrari, da mesma forma teve um pneu com perda importante de pressão na sua volta de regresso aos boxes, no mesmo treino, realizado com pista seca. De manhã o tempo chuvoso fez com que a média horária fosse bem mais baixa que à tarde.

 

A associação dos pilotos, GPDA, foi dura com o diretor de corrida e delegado de segurança da competição, o inglês Charlie Whiting, na reunião rotineira da sexta-feira, às 17 horas. A entidade deseja que Whiting exija da Pirelli, fornecedora de pneus da Fórmula 1, garantias de que os problemas com os pneus foram decorrentes de algum fator externo e não uma falha estrutural, como o ocorrida em Silverstone, com cinco pilotos.

 

O diretor de esportes a motor da Pirelli, o inglês Paul Hembery, conversou com os jornalistas, hoje, depois do treino onde os problemas se manifestaram. Ele descarta que os dois pneus danificados tenham a mesma origem dos verificados no GP da Grã-Bretanha. Naquela corrida a Pirelli pediu para mudar os pneus, mas três equipes não concordaram. E a empresa apenas recomendou, não controlou, que os times não invertessem os lados dos pneus, por serem assimétricos. Agora um comissário da FIA controla se as especificações da Pirelli estão sendo observadas pelas equipes.

 

Os novos pneus, com estrutura de kevlar e não fios de aço, mais resistentes, estrearam na prova de Budapeste, dia 28 de julho. Foram testados em Silverstone, mesmo circuito onde apresentaram as falhas, e nada foi registrado.

 

Hoje Hembery comentou sobre o que se passou nos treinos: "Analisamos vários pneus, de vários carros. E detectamos alguns pequenos cortes na banda de rodagem (parte que entra em contato com o solo). As indicações são de que elementos externos foram os responsáveis".

 

Junto do engenheiro Mario Isola, responsável técnico da Pirelli, foram às curvas Paul Frere (a 13.ª do traçado) e as duas pernas da curva Stavelot (14.ª e 15.ª) para analisar se há algo que esteja causando os danos. Uma zebra específica ou alguma irregularidade grave do asfalto podem gerar essas dificuldades.

 

Até as 21 horas local, 16 horas de Brasília, a imprensa não recebeu o resultado da investigação.

Mark Webber, da Red Bull, é um dos líderes da GPDA. Ele afirmou: "Queremos uma resposta sobre o que causou os problemas nos pneus. E dizer que a causa foram os detritos não é resposta".

 

Os pilotos deixaram a questão nas mãos de Whiting. O inglês responderá à GPDA qual a conclusão da Pirelli e ele, como responsável pela segurança, deverá tomar uma decisão. Não está descartada a possibilidade de os pilotos criarem resistência para seguirem disputando o GP da Bélgica se as explicações de Whiting não forem convincentes. O circuito é um dos mais velozes do calendário. A baixa temperatura esperada para o sábado pode se elevar muito se a GPDA não receber garantias de segurança.

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