Pilotos querem punir manobra perigosa

Tudo começou com um fax enviado por Luciano Burti, da Prost, para a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), e a associação dos pilotos, a Grand Prix Drivers Association (GPDA), logo depois do GP da Alemanha. "O Olivier Panis (equipe BAR), em Hockenheim, a mais de 300 km/h, me jogou na grama e decidi fazer alguma coisa, porque vi outros terem o mesmo comportamento naquela corrida", disse o piloto. É possível que a partir da corrida de Spa-Francorchamps, na Bélgica, dia 2, os pilotos não possam mais trocar de trajetória na pista, sob pena de serem punidos. Normalmente o "briefing" dos pilotos como diretor de largadas e delegado de segurança da Fórmula 1, o inglês Charlie Whiting, não dura mais de 20 minutos, sempre às sextas-feiras às 17 horas. Hoje esse encontro se estendeu até próximo das 18 horas. "Não posso dar detalhes em razão do acordo de não expormos o que discutimos", disse Burti. Sabe-se, porém, que a velha regra de que esses profissionais podem mudar de trajetória uma vez na pista está em xeque. "Vou pensar na proposta e lhes comunicarei antes da próxima corrida", respondeu Whiting. A iniciativa partiu de Jean Alesi, agora piloto da Jordan, que defende a teste de que se o adversário colocar o carro ao lado, a única defesa para manter a posição será a de brecar o mais dentro possível da curva. Hoje é permitido fechar a porta, mas apenas uma vez. A questão e que envolve diretamente a segurança dos pilotos é antiga. Como quase sempre, as acusações maiores recaem sobre Michael Schumacher. O alemão joga duro nas largadas e nas freadas da primeira curva, por vezes mudando mais de uma vez sua trajetória para não perder a posição. O último exemplo de conduta perigosa de Michael foi contra o seu próprio irmão, no GP da Europa, em Nurburgring. O piloto da Ferrari, para não perder a liderança, depois da largada, espremeu Ralf, da Williams, no muro, até que ele tirasse o pé do acelerador. "Eu e o Eddie Irvine disputamos durante algumas voltas determinada posição, em Silverstone, e não cruzamos a frente um do outro", argumentou Burti. As duas ultrapassagens de Rubens Barrichello em David Coulthard, por fora, na entrada do "Estádio" no GP da Alemanha, foram também exemplos de como deve ser a competição. O escocês não fechou a porta. "Eu o conheço desde os tempos da Fórmula 3 na Inglaterra (1991) e conheço a sua lisura nas disputas", comentou Rubinho. "O Kimi Raikkonen não age assim, e vi também na Alemanha o Enrique Bernoldi jogar pesado contra o Giancarlo Fisichella", disse Burti. O que os pilotos desejam é que, a partir de agora, as regras fiquem bem claras e quem não as respeitar seja punido. Se for mesmo proibida a mudança de trajetória, com toda certeza ficará mais seguro e mais fácil ultrapassar na Fórmula 1, ainda que haverá muita subjetividade nas avaliações dessas manobras.

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