Pilotos rejeitam redução de velocidade

Os pilotos já sabem o que responder se o presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Max Mosley, lhes pedir sugestões do que fazer para reduzir a velocidade dos carros ainda este ano: "Nada de mudanças!" Hoje, no circuito de Sepang, onde amanhã será disputada a sessão que definirá o grid, das 2 às 3 horas, horário de Brasília, a posição dos pilotos ficou bem clara: "A Fórmula 1 está mais segura este ano que na temporada passada. Os acidentes na Austrália não têm nada a ver com o regulamento do campeonato", afirmou o campeão do mundo, Michael Schumacher.Se no fim da classificação, amanhã, ocorrer o mesmo de Melbourne, em que o tempo da pole position ficou 3 segundos e seis décimos abaixo do verificado em 2000, os pilotos podem começar a preparar-se para uma batalha: Mosley já adiantou que irá impor restrições a essa escalda de velocidade, a fim de "garantir maior segurança ao evento." A não ser Eddie Irvine, da Jaguar, que defende a posição da FIA, não há quem deseje ver a categoria mais lenta. "Não sou a pessoa mais apropriada para falar, mas sempre soube que piloto gosta é de dispor de carros mais rápidos, não mais lentos", disse a sensação da prova de abertura do Mundial, o jovem finlandês Kimi Raikkonen.Ao mesmo tempo em que pilotos como Schumacher sequer aceitam discutir qualquer tentativa de diminuir a velocidade da Fórmula 1, os engenheiros dizem estar cansados de pagar sempre a conta: "Desta vez se tiver de mexer em algo será nos pneus", afirma Mike Gascoyne, diretor-técnico da Benetton. A proposta que Mosley lançou como um balão de ensaio, acrescentar um sulco a mais nos quatro que os pneus já têm, encontrou aceitação na equipe da Michelin. "Não é difícil de ser executada, ainda que questiono se esta é a melhor opção para conter o avanço da velocidade", comenta Pierre Dupasquier, diretor técnico da empresa francesa.Já Hiroshi Yasukawa, da Bridgestone, defendeu a manutenção das regras atuais. "O regulamento em curso é muito bom, não vejo razão para alterá-lo." Como a Bridgestone acha-se tecnicamente na frente da Michelin, que está retornando a competição depois de 16 anos ausente, qualquer alteração pode reduzir a superioridade demonstrada em Melbourne. Outro campeão do mundo que evidencia até revolta com a idéia de tentar tornar a Fórmula 1 mais lenta é Jacques Villeneuve, da BAR."A Fórmula 3000 é pelo menos 10 segundos menos veloze também lá ocorrem acidentes como o meu na Austrália", declarou o canadense. "É um erro acreditar que a pancada que dei na traseira de Ralf Schumacher relaciona-se com as regras atuais." Se a FIA quer alterar a Fórmula 1 que o faça então restringindo drasticamente a aerodinâmica, permitindo carros mais largos, como antes, e adote pneus lisos em vez de com sulcos, sugere Villeneuve. A maior revelação da Fórmula 1 nos últimos anos, o inglês Jenson Button, surpreendeu-se ao saber que Mosley deseja fazer algo para diminuir a velocidade da Fórmula 1. "Estava de férias, não fiquei sabendo", disse."Difícil dizer algo porque para mim, com as mudanças deste ano, a competição ficou melhor em tudo." Depois completou: "Não pode ser verdade que a FIA deseje restringir o desempenho, isso aqui é Fórmula 1." Mosley não irá sensibilizar-se com a posição firme dos pilotos, contrária à iniciativa de mudanças. E eles são os maiores interessados em segurança. Para Rubens Barrichello, essa febre de alterações vai começar a passar logo depois da classificação para o grid.Depois dia 31, em Interlagos, a FIA compreenderá que errou ao acreditar que em todas as etapas os carros seriam pelo menos quatro segundos mais rápidos que no ano passado. "Para mim, essa diferença, aqui na Malásia, ficará em torno de dois segundos." Os pneus da Bridgestone na corrida de Sepang, em 2000, já estavam bem desenvolvidos, por ter sido a última do campeonato." Sua sugestão se assemelha à de Villeneuve: "Defendo a volta dos pneus lisos e cortes na aerodinâmica e potência dos motores."

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