Pilotos têm nova maratona no rali

Os pilotos que ainda resistem às surpresas do Rally Paris-Dacar vão ter outra prova de fogo antes da chegada à capital do Senegal, neste sábado. A organização reservou justamente para os dois últimos dias da competição mais uma etapa "Maratona", com aproximadamente 1.500 quilômetros. Nesta sexta-feira pela manhã, os competidores largam de Tichit para Kiffa, onde são obrigados a fazer uma pausa de oito horas. Depois do descanso, largam novamente, de madrugada, para Dacar.Essa será a segunda etapa "Maratona" do rali esse ano. A primeira foi realizada entre Ouarzazate e Tan-Tan, no Marrocos, e Zouerat, primeira parada na Mauritânia. Esse tipo de desafio, além de longo, é muito cansativo. Afinal, os pilotos dormem muito pouco, já que o período de descanso coincide com o horário de trabalho dos mecânicos, responsáveis por grande parte da poluição sonora nos acampamentos do rali. "Fomos informados que as dificuldades terminaram", acredita Klever Kolberg, da Equipe BR Lubrax, piloto de um Mitsubishi Pajero Full na categoria diesel.O primeiro trecho, entre Tichit e Kiffa, terá 473 quilômetros (467 cronometrados). E o terreno será de areia e dunas predominantemente. Na segunda parte, entre Kiffa e Dacar, serão 1.011, sendo a maioria de deslocamento. Apenas 165 quilômetros estarão valendo para contagem de tempo. Depois, os pilotos poderão comemorar pelo menos a primeira parte da vitória, que é a chegada a Dacar. No domingo, dia 13, está programada a última corrida, desta vez com apenas 69 quilômetros às margens do Lago Rosa.Tempestade de areia - Nesta quinta-feira a etapa mais uma vez castigou os pilotos concorrentes. Originada ao redor de Tichit, no terreno conhecido como "erva de camelo" (pequenas moitas de mato). "As motos até conseguem ir desviando dos morrinhos com mais facilidade, mas de carro fica um pouco mais complicado", revela Kolberg. De acordo com o piloto, a maior dificuldade foi a falta de visão. "Tivemos tempestade de areia em quase todo o trajeto, o que dificultou localizar as referências. Hoje não corremos com GPS, o aparelho que fornece informações precisas sobre a localização geográfica".Na opinião de Kolberg, a organização deveria ter liberado o uso do equipamento antes da largada, pela manhã. "A organização foi longe demais", reclamou o brasileiro, que nesta quinta-feira ficou em 9º na geral e segundo na categoria Super Production para carros a diesel. Com o resultado, o piloto passa a ser o 8º na classificação acumulada entre todos os carros. O vencedor da etapa foi o japonês Hiroshi Masuoka, com um Mitsubishi Pajero Full, que também está liderando nos carros.Motos - Juca Bala, parceiro de Kolberg na Equipe BR Lubrax, ficou em 24º nas motos com uma Honda Falcon Rally e mantém a vice-liderança na categoria Super Production até 400 cilindradas. O francês Stephane Sacchettini (Honda XR 400) está na frente do grupo. A quinta-feira foi do italiano Giovani Sala, mas a liderança na geral continua nas mãos de Fabrizio Meoni, atual campeão do Dacar. Luiz Azevedo, da CDI Competições, e Luiz Mingione, da Equipe BR Lubrax, conseguiram completar a prova desta quinta-feira. Eles chegaram ao acampamento em Tichit no escuro sob uma tempestade de areia. Até as 18 horas (horário de Brasília), a organização ainda não havia atualizado a lista de resultados com os nomes dos competidores brasileiros.Caminhões - André Azevedo e os checos Tomas Tomecek e Mira Martinec ainda estavam parados no deserto, nesta quinta-feira à noite, tentando arrumar o caminhão Tatra. André ocupava o segundo lugar na categoria, liderada pelo russo Vladimir Tchaguine, com Kamaz. O brasileiro corre o risco de abandonar na disputa.

Agencia Estado,

10 de janeiro de 2002 | 19h05

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