Divulgação/ Haas F1 Team
Divulgação/ Haas F1 Team

Pintura da Haas, com alusão à bandeira russa, é investigada por descumprir decisão do CAS

Corte Arbitral do Esporte determinou que esportistas não podem competir sob bandeira russa pelos próximos dois anos

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2021 | 18h02

A escuderia norte-americana Haas apresentou, na última quinta-feira, seu novo carro para a temporada 2021 da Fórmula 1. A pintura adota as cores da bandeira russa (azul, branco e vermelho), uma vez que um de seus pilotos será Nikita Mazepin, piloto da Rússia, que traz uma grande cota de patrocínio da Uralkali, empresa produtora de fertilizantes, que pertence a seu pai. Mas a escolha por essas cores pode trazer problemas para a equipe pode se ver obrigada a alterá-la até o início da competição.

Em dezembro de 2020, a Corte Arbitral do Esporte (CAS) julgou recurso da Rússia contra a decisão da Wada (Agência Mundial Antidoping), que proíbe atletas de competirem sob a bandeira russa, após a descoberta de um esquema de dopagem no país. A suspensão será de dois anos. Com isso, esportistas da Rússia não podem usar a bandeira em nenhuma parte do uniforme, equipamentos ou materiais esportivos. 

O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou a exigência de que russos compitam com a sigla do Comitê Olímpico Russo (ROC) nos Jogos Olímpicos de Tóquio e na Olímpiada de Inverno de 2022, em Pequim. O mesmo deve valer para outras modalidades que podem usar o emblema das federações às quais pertençam. Assim, a decisão não abrange somente competições olímpicas e, por isso, pode dar mais uma dor de cabeça à Haas.

Essa é mais uma polêmica envolvendo a Haas e sua escolha por Nikita Mazepin. O piloto foi duramente criticado após ter divulgado um vídeo em que assedia uma mulher. Fãs de Fórmula 1 usaram as redes sociais para protestar contra o piloto, usando a hashtag #NoToMazepin ("Não a Mazepin", em tradução livre), pedindo a rescição do contrato do russo. Apesar da polêmica, a escuderia americana preferiu deixá-lo em seu quadro de pilotos e não houve nenhuma punição por parte da FIA (Federação Internacional de Automobilismo). Recentemente, Mazepin disse ter aprendido com o caso e assumiu o erro.

Diante da nova pintura exibida pela Haas, a Wada informou estar ciente do ocorrido e que está investigando a situação. A escuderia norte-americana, por sua vez, disse que não está tentando driblar a decisão imposta pelo CAS. De acordo com a FIA, o argumento usado pela equipe é que não está proibido o uso das cores da bandeira russa. A Federação Russa de Automobilismo anunciou, em fevereiro, que a punição também valeria para seus pilotos nos campeonatos mundiais, o que impede que Mazepin corra sob a bandeira russa e nem ouça o hino de seu país, caso vença alguma das provas da temporada de Fórmula 1.

"Não contornamos nada. Nós criamos essa pintura já no ano passado, antes que tudo isso saísse da Wada sobre a bandeira russa. Obviamente não podemos usar a bandeira russa como bandeira russa, mas você pode usar cores no carro. No fim, é o atleta que não pode mostrar a bandeira russa e não a equipe, a equipe é americana", afirmou o chefe de equipe, Gunther Steiner.

A temporada 2021 da Fórmula 1 começa no dia 28 de março, com o GP do Bahrein, em Sakhir. Nikita Mazepin terá como companheiro de equipe Mick Schumacher, filho do heptacampeão mundial Michael Schumacher. Ambos farão suas estreias na categoria máxima do automobilismo mundial.

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