Piquet monta equipe para filho correr

O ex-piloto Nelson Piquet lançou nesta terça-feira uma escuderia, que vai estrear na Fórmula 3 Sul-americana, só para impulsionar a carreira do filho Nelson Angelo Piquet no automobilismo. "Não terá outro piloto, não é ganha-pão", revelou o tricampeão mundial de Fórmula 1. Os planos iniciais são de manter a equipe em funcionamento por 2 anos e meio, enquanto Nelsinho não se transferir para o exterior. A meta do novato é seguir os passos do pai e chegar à F1.O carro que Nelsinho irá pilotar lembra um modelo de Fórmula 1, mas em tamanho reduzido. O motor é um Honda Mugen, o chassi italiano da Dallara F 301 e a eletrônica combinará peças Pi research (inglês) e EFI (americana).Nelson Piquet estima que a montagem do carro e os gastos na temporada consumirão entre US$ 300 mil a US$ 350 mil, patrocinados pela Autotrac, da qual é um dos sócios, a empresa americana Qualcomm e a Companhia Energética de Brasília (CEB).A estréia de Nelsinho na nova modalidade ocorrerá no início de agosto, no autódromo internacional de Brasília, que leva o nome do seu pai, Nelson Piquet. "Estou ansioso. Quero que aconteça logo para ver o resultado", afirmou o jovem piloto. Nelsinho vem treinando com o novo carro há quatro meses, logo após as aulas na Escola Americana, onde cursa a 2ª série do ensino médio. Acostumado a operar apenas com freio e acelerador no Kart, ele teve de aprender a passar as marchas do novo carro e precisou se adaptar a dirigir em velocidade muito maior. No Kart, o máximo eram 140 quilômetros por hora. O atual modelo pode atingir até 270 quilômetros.Dois meses atrás, ainda na terceira volta de um treino, Nelsinho forçou o carro, rodou e acabou se chocando contra o guard-rail. Saiu sem um arranhão, mas o carro teve a traseira destruída. "Meu pai pagou o maior sapo", contou o novato, que aprendeu com o erro que não se pode acelerar na fase em que o carro ainda está esquentando. No dia-a-dia, Nelson Piquet pouco interfere nos treinos do filho. Deixa o trabalho de orientação para o chefe da equipe da nova escuderia e engenheiro de competição, Luiz Felipe Vargas. De vez em quando, dá algumas dicas, principalmente quando assistem juntos às corridas de Fórmula 1.Talento - Perto de completar 16 anos, idade mínima para participar de competições de Fórmula 3, Nelsinho exibe no currículo mais de 50 vitórias nas pistas. Ele é tricampeão brasileiro de Kart, modalidade que pratica desde os 8 anos de idade. Mas Nelson Piquet economiza elogios diretos ao filho, para estimulá-lo a crescer, seguindo o mesmo "jogo duro" que o seu pai fazia com ele.Uma das principais lições que Nelsinho recebeu do pai aconteceu no início da sua carreira no Kart. Após comemorar a conquista da segunda colocação numa prova, ele foi repreendido pelo tricampeão da F1. "Chegar em segundo lugar é ser o primeiro perdedor", disse Piquet.Piquet conta outra passagem da relação com seu filho. Aconteceu quando sua esposa perguntou porque Nelsinho não iria para Argentina participar de competições, uma vez que recebera um convite. "Ele não dá três voltas sem rodar, o que vai fazer na Argentina?", reagiu o tricampeão, deixando o filho furioso. Em compensação, no dia seguinte, Nelsinho fez tudo certo no treino, segundo contou o pai, todo orgulhoso.Se dependesse de Piquet, todos os seus cinco filhos homens (ele tem mais duas filhas) iriam para o mundo automobilístico. Ele não pôde ajudar o mais velho, hoje com 23 anos. "Me pegou na fase errada, era o meu tempo", lembrou. O de 13 anos chegou a ensaiar a entrada no Kart, mas não agüentou a pressão e desistiu. Apesar disso, Piquet não suporta ficar mais de cinco minutos assistindo corridas de Nelsinho: "Fico muito nervoso com a competição."

Agencia Estado,

26 de junho de 2001 | 17h48

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