Peter Steffen/EFE
Peter Steffen/EFE

Pirelli muda os pneus para o GP da Hungria de Fórmula 1

Combinação para a próxima prova da temporada será de médios e macios

LIVIO ORICCHIO - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

10 de julho de 2013 | 14h16

FRANÇA, Nice - A notícia deve ter agradado os pilotos de Lotus, Ferrari e Force India. E provavelmente deixou o líder do Mundial de Fórmula 1, Sebastian Vettel, da Red Bull, bem como a dupla da Mercedes, Lewis Hamilton e Nico Hulkenberg, descontentes.

 

A Pirelli anunciou nesta quarta-feira, no fim da tarde na Europa, que os pneus a serem utilizados na próxima etapa do campeonato, décima do calendário, o GP da Hungria, dia 28, não mais serão os tipos duro e médio, como haviam sido escolhidos antes do episódio de Silverstone, dia 30, quando cinco pilotos tiveram um pneu dechapado.

 

Os pneus em Hungaroring, sempre uma das provas mais quentes do ano, serão, agora, os médios e macios, a mesma combinação utilizada no GP da Alemanha, domingo, em Nurburgring. Mas os pneus do GP da Hungria, apesar de serem do mesmo tipo da última corrida, serão diferentes.

 

Diante do ocorrido no GP da Grã-Bretanha, onde a maior responsabilidade foi dos usuários que não observaram as recomendações do fabricante, os pneus usados em Nurburgring tinham a estrutura ou a carcaça, grosseiramente dizendo, confeccionada em kevlar, material sintético, compósito, de elevada resistência, em substituição ao aço, empregado nos pneus este ano.

 

A estrutura, portanto, na Alemanha, foi a mesma de 2012, bem como os compostos de borracha adotados, os médios e os macios. A Pirelli voltou a 2012 em Nurburgring. Questão de segurança.

Os compostos de 2012 eram menos aderentes que os deste ano, bem como ofereciam maior número de voltas, mas possuíam uma faixa ideal de temperatura para responder com a melhor aderência bastante pequena. Quem ajustasse o carro e conseguisse fazer os pneus trabalharem nessa estreita faixa, dispunha de maior velocidade e menor degradação dos pneus. As equipe reclamaram dessa especificidade excessiva.

 

A estrutura dos pneus de 2013 voltou para o aço em vez do kevlar, para ajudar na ampliação da faixa de utilização da temperatura. E os compostos de borracha tornaram-se um pouco mais moles e de menor vida útil. Ofereciam, portanto, maior aderência, haja vista que os tempos de volta melhoraram sensivelmente.

 

A pole este ano no Circuito da Catalunha, em Barcelona, 1min20s718, estabelecida por Nico Rosberg, da Mercedes, é cerca de um segundo e meio melhor que a Pastor Maldonado, Williams, em 2012, com 1min22s285, dentre outros exemplos.

 

Os pneus a serem distribuídos a partir de Budapeste vão ter a estrutura em kevlar, mais eficiente como os pneus de 2012 provaram, mas o composto de borracha de 2013, mais macios que os de 2012 e com maior faixa de utilização da temperatura.

Repare que os pneus daqui para a frente no campeonato não serão os mesmos traseiros de Nurburgring, que tinham a estrutura em kevlar, como em 2012, e o composto de borracha do ano passado também.

 

Importante: a não ser a Mercedes, punida pelo teste particular de Barcelona, em maio, todos vão ter a oportunidade de testar a nova gama de pneus em Silverstone, por três dias, 17, 18 e 19, e desenvolver conhecimento em como lidar com eles. E no traçado mais exigente para os pneus, junto com Suzuka.

 

Isso tudo quer dizer que o que assistimos no GP da Alemanha não será, necessariamente, o que veremos na sequência do campeonato. Os pneus, pelo exposto, são outros. A mesma estrutura, a de 2012, mas outros compostos de borracha, os de 2013.

 

Lotus, Ferrari e Force India devem ter gostado da mudança dos pneus duros e médios para os médios e macios porque seus carros degradam menos os pneus que os da Red Bull e Mercedes, por exemplo. E os médios e macios, agora, tendem a desgastar mais rapidamente que os médios e duros anunciados meses atrás para o GP da Hungria.

A mudança é decorrente, fundamentalmente, da substituição do aço pelo kevlar e das características da estrutura de 2012. Na temporada passada não houve nenhum incidente como os de Silverstone este ano.

 

Esse quadro sugere que poderemos ter uma corrida no circuito de Hungaroring sem o favoritismo destacado da Red Bull, com a McLaren praticamente fora do páreo. A McLaren venceu o GP da Hungria nos dois últimos anos, com Lewis Hamilton em 2012 e Jenson Button, em 2011, e ainda em 2007 (Hamilton), 2008 (Heikki Kovalainen) e 2009 (Hamilton). Só não ganhou em 2010, obra de Mark Webber, da Red Bull.

 

Uma nova luta pela vitória entre Red Bull, Lotus e quem sabe até a Ferrari, por causa dos novos pneus e calor, seria bem vinda para os interesses do campeonato. A Mercedes, por não treinar com os novos pneus, seria surpreendente se inserir, em condição de corrida, nessa disputa, embora, claro, sempre seja possível.

 

E a McLaren, apesar do extraordinário histórico, sugere da mesma forma não ter equipamento este ano para dar sequência a sua série notável de conquistas na Hungria. Mas deve andar bem.

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