Ulises Ruiz Basurto/Efe
Ulises Ruiz Basurto/Efe

Pista em estádio de beisebol marca volta do México à Fórmula 1

País retorna à categoria e público no GP deve passar de 100 mil

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

31 de outubro de 2015 | 17h00

Ar rarefeito, altitude, recorde de velocidade e pista dentro de um estádio de beisebol. Há tempos a Fórmula 1 não se encontrava com ingredientes tão incomuns como no retorno ao México neste domingo. O país volta a receber um GP após 23 anos e, graças a tantas curiosidades, consegue compensar a falta de atrativos do campeonato já decidido.

A organização espera receber um público de até 110 mil pessoas para a prova na capital mexicana. Os ingressos estão esgotados. A preparação para recolocar o país na categoria começou em julho do ano passado. E o autódromo de Hermanos Rodríguez está bem diferente em comparação ao local que recebeu a Fórmula 1 pela última vez em 1992.

No ano seguinte à última corrida, o circuito ganhou um estádio de beisebol, construído no interior do traçado. Os organizadores da prova optaram por aproveitar a estrutura da arena, com capacidade para 30 mil pessoas, e mudaram a pista, para que os pilotos passem pelo vão das arquibancadas.

O trecho do estádio termina na entrada da principal curva. A Peraltada, famosa por uma capotagem de Ayrton Senna em 1991, está modificada, mas continua desafiadora e dá acesso à reta principal. "É mais de 1 km de aceleração, depois tem uma parte de circuito misto bem interessante. A característica principal da pista continua, com modificações por questões de segurança", disse ao Estado o embaixador do GP, Emerson Fittipaldi.

A reforma custou cerca de R$ 230 milhões. Os organizadores contrataram o arquiteto responsável pelas principais pistas da categoria, o alemão Hermann Tilke, e construíram novos boxes, centro de imprensa e ambulatório, além da troca do asfalto e da ampliação de áreas de escape.

Todo o projeto teve o apoio do magnata mexicano Carlos Slim. O empresário é incentivador do automobilismo e um dos financiadores da carreira de Sérgio Pérez, da Force India, o único que vai correr em casa.

A altitude de mais de 2,2 mil metros da Cidade do México tem no ar rarefeito o principal aliado para o desempenho dos motores turbo. Na sexta-feira, o tricampeão Lewis Hamilton alcançou na reta 362 km/h, recorde anual de velocidade.

AMBIENTE

Dias antes o inglês aproveitou a empolgação nacional pela volta da Fórmula 1. O piloto participou de uma luta livre, espetáculo popular no país, e assim como demais colegas posou para fotos vestido com um sombrero e ao lado de mariachis (músicos tradicionais mexicanos).

"Um GP como o do México é importante continuar. Em países sem tradição de automobilismo, como Coreia e Índia, o publico vê a corrida e não sabe nem o que fazer, é frio no comportamento", disse Fittipaldi.

A expectativa por conhecer a pista fez os pilotos ressaltarem nas entrevistas a ansiedade por dirigir no México e o quanto o trecho dentro do estádio é curioso. "O lugar será interessante para nós. Ficaremos perto de centenas de pessoas. A paixão dos mexicanos pela Fórmula 1 é realmente especial", comentou o espanhol Fernando Alonso.

A antepenúltima etapa vale a disputa do segundo lugar no campeonato entre os alemães Nico Rosberg, da Mercedes, e Sebastian Vettel, da Ferrari. A próxima etapa será no Brasil.

Tudo o que sabemos sobre:
velocidadeFórmula 1GP do México

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.