Planilha conta muito no Rali Cerapío

Um rali em que o piloto não define o ritmo de competição e, sim, compete no ritmo que a organização da prova determina. É assim o Rali Cerapío, que teve sua primeira etapa nesta quarta-feira, entre Fortaleza e Sobral, no Ceará. Como a disputa é de regularidade, os pilotos são obrigados a cumprir o tempo especificado, e precisam seguir fielmente a planilha. Andar lento demais ou ser mais rápido do que deveria significa perda de pontos."Em uma competição como essa, a navegação é essencial´´, explica Erlhich Cordão, organizador do Cerapió, que está em sua 17ª edição. Isso porque a planilha se torna o melhor companheiro do piloto (nos carros, eles têm a ajuda do navegador, mas nas motos, bicicletas e quadricíclos correm sozinhos). Durante cada etapa, quem seguir melhor as indicações de média de velocidade, de obstáculos, não confundir a rota e passar nos pontos de controle dentro do tempo determinado, entre outros cuidados, pode levar grande vantagem sobre os rivais, que são muitos. Este ano, o Cerapió teve 158 inscrições para as motos, 101 para os carros, 675 bicicletas e 4 quadriciclos.O maranhense Ricardo Medeiros, que disputa pela nova vez o Cerapió na categoria motos, entende que há um outro fator importante para um bom desempenho: a concentração. Por isso, na etapa desta quarta-feira ele enfrentou alguma dificuldade. "Não conseguia me concentrar. Uma hora pensava nos negócios, outra nos filhos. Nesses momentos, o negócio é rezar para que a concentração venha´´, disse Medeiros, campeão do Rali dos Sertões no ano passado na categoria maraton.Ricardo Medeiros cometeu um erro de percurso desta quarta e, apesar de ter voltado à rota rapidamente, calcula que, ao fim da etapa, tenha perdido cerca de 20 pontos - no Cerapío, cada segundo a menos em relação ao tempo que ele tem de cumprir significa a perda de 1 ponto; cada segundo a mais representa três pontos perdidos. "Mas nesse tipo de rali o piloto tem de fazer o dele, pois não sabe como se saíram os adversários.´´ Como são 18 pontos de controle por etapa - em cada um é computado o tempo do piloto no trecho percorrido -, o resultado da etapa também demora a sair. Isso porque os controladores têm que tabular todos os dados passados pelos fiscais. Assim, o resultado da etapa desta quarta-feira só deverá sair por volta da meia-noite.Paralisação - Nos 341 km desta quarta-feira entre Fortaleza e Sobral, os pilotos de carro, moto e triociclo enfrentaram todo o tipo de terreno - areia, cascalho, terra - e trechos planos, mas acidentados, e outros de serra. Na cidade de Uruburetama, a pouco mais de 100 km da capital cearense, a passagem da caravana complicou um dos mais eficientes meios de transporte municipal da cidade, o serviço de mototaxi. Isso porque boa parte dos mototaxistas paralisou o serviço para ver os pilotos, principalmente os de motos, passarem pela cidade.Cerca de 20 deles foram à subida do Cruzeiro, ponto a cerca de 700 metros de altitude, para observar os competidores e suas "posantes´´ máquinas. "É muita adrenalina, as motos são demais´´, disse Cleiton Soares de Souza, de 22 anos, que abandonou por algumas horas o serviço, que faz com sua moto Honda CG 125cc, para assistir ao rali.Uburetama, com 17 mil habitantes, tem 350 motos registradas. Muitas delas são utilizadas para o transporte de passageiros, a preços que variam de R$ 1 a R$ 10. "Mas isso só ser for para muito longe´´, explica Cleiton, que calcula tirar R$ 200 por mês.Sustos - Nesta quarta-feira, o rali registrou três capotamentos de carros, durante a especial de velocidade, trecho de 12 quilômetros entre Paracuru e São Luiz do Curú. Num deles, envolvendo um carro de apoio, ninguém se feriu.Nos outros, os pilotos Edmilson Alves, do Piauí, e André Motta, do Ceará, sofreram luxação no tornozelo esquerdo e no antebraço direito, respectivamente. Seus navegadores não se feriram, mas eles estão fora do rali.Percurso - Nesta quinta-feira, a segunda etapa será entre Sobral e Parnaíba, em 350 km. Para as bicicletas, que nesta quarta foram de Fortaleza a Paracuru, a segunda etapa será entre Sobral e Viçosa, ainda no Ceará, num total de 100 quilômetros.

Agencia Estado,

21 de janeiro de 2004 | 18h50

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