Werther Santana/Estadão
Pista de Interlagos ganha ranhuras e mais barreiras para amortecer impacto Werther Santana/Estadão

Por Fórmula 1 mais veloz, Interlagos ganha reforço de segurança

Novo regulamento implica em mudanças nas áreas de escape e mais preparação para evitar acidentes fortes

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2017 | 07h00

Para uma Fórmula 1 mais veloz, um autódromo mais reforçado contra acidentes. Interlagos seguirá essa lógica para, nos próximos meses, estar preparado para o Grande Prêmio do Brasil, em novembro. Até lá, a pista vai ganhar reforço nas barreiras de pneus, novas proteções para impacto em uma das curvas e ranhuras para prevenir o asfalto contra o acúmulo de água da chuva.

 O novo regulamento da competição para 2017 alterou os carros e, por consequência, as pistas. As novas dimensões das asas, os pneus mais largos e mudanças aerodinâmicas possibilitam um ganho de velocidade estimado em até 50 km/h a cada curva, tempos de volta mais baixos e recordes de velocidade.

"Em função do aumento de velocidade, teremos em algumas áreas o aumento da estrutura de pneus, das barreiras e alguns groovings (ranhuras) para melhorar a drenagem da pista em pontos que a FIA (Federação Internacional do Automobilismo) nos pediu", explicou ao Estado o presidente da SPObras, Vitor Aly. 

As intervenções de segurança feitas pela Prefeitura vão custar cerca de R$ 7 milhões. Segundo Aly, as obras começam nos próximos dias. "O combinado entre a organização e a Prefeitura é estar com tudo entregue um mês antes da corrida. Tudo está dentro do prazo", afirmou. A prova deste ano será dia 12 de novembro e será a penúltima do calendário.

A atualização da pista em parâmetros de segurança está confirmada pela organização da prova para pelo menos quatro curvas. Em três delas, no miolo do circuito, as áreas de escape vão ganhar fileiras extras de pneus para absorver possíveis batidas. Uma outra freada também pode ter a área de escape alterada pelo mesmo motivo.

Já na subida para a reta dos boxes, pouco depois da Junção, a mudança será o reforço de uma barreira de soft wall. Na impossibilidade de recuar o muro, que está bem próximo ao asfalto, o local vai ganhar essa forma diferente de segurança, criada nos circuitos ovais dos Estados Unidos.

A barreira consiste em um sistema de tubos de aços ocos fixados à parede de concreto por espumas flexíveis e propicia, em caso de batida, amortecer a energia da colisão e evitar que o carro retorne à pista e possa ser atingido por outro piloto.

“Toda vez que se mexe no carro e a velocidade muda, altera a projeção de impacto e é preciso atualizar a estrutura. Nossa preocupação é dissipar o impacto da batida e evitar que o piloto sofra”, afirmou o engenheiro chefe do GP do Brasil, Luis Ernesto Morales.

Próxima à colocação do soft wall estará outra novidade na pista para o próximo GP. No local, assim como na freada da reta oposta, o asfalto ganhará ranhuras para escoar a água da chuva e evitar a aquaplanagem dos carros. Esse sistema, conhecido como grooving, teve de ser reforçado, também a pedido da FIA, após a forte chuva na corrida do ano passado ter causado acidentes durante o GP.

O grooving já havia sido realizado no autódromo em anos anteriores. A medida precisou ser refeita, pois, como em 2014 houve o recapeamento completo do asfalto, as marcas para escoamento da água não ficaram mais tão profundas no piso.

Recordes

A velocidade maior dos carros da Fórmula 1 neste ano já propiciou quebras de recordes. Em todas as 11 etapas realizadas no campeonato até agora, os tempos de pole position foram inferiores aos da temporada passada. 

Na China a diferença foi a maior de todas. Lewis Hamilton, da Mercedes, reduziu em quatro segundos o tempo da pole position do ano passado. Em três GPs (Rússia, Azerbaijão e Áustria) foi registrada a volta mais rápida da história da pista durante as corridas.

A expectativa dos organizadores é de que Interlagos consiga quebrar no próximo GP o recorde tanto de tempo do treino como de melhor volta na corrida. As duas marcas pertencem ao colombiano Juan Pablo Montoya e foram conseguidas ainda em 2004, pela Williams.

"Esperamos ter novas marcas, mas isso vai depender das condições do tempo. Chuva ou mesmo dias muito quentes não favorecem os pilotos", afirmou Morales.

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Obras em Interlagos vão concluir espaço para convidados

Prédio dos boxes e do paddock ganham retoques nos segundos andares; instalação final da cobertura será no próximo ano

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2017 | 07h00

A Fórmula 1 vai desembarcar em novembro em São Paulo, para o GP do Brasil, e vai encontrar mais mudanças no autódromo. O pacote de revitalização de Interlagos, iniciado em 2014, entregará em outubro obras de atualização na parte elétrica, de ar condicionado e a liberação do segundo andar dos prédios do paddock e dos boxes para a utilização de convidados.

Segundo o presidente da SPObras, Vitor Aly, cerca de um mês antes da corrida os trabalhos estarão concluídos. O preço do investimento nesta etapa de obras é de cerca de R$ 14 milhões. "Ano que vem terminamos a requalificação do autódromo, com a cobertura do paddock e a elevação do teto dos boxes", disse Aly.

O Estado visitou o autódromo na última semana e acompanhou o andamento das obras. A etapa atual prevê a finalização dos segundos andares dos prédios dos boxes e do paddock. O espaço é destinado ao uso de convidados e VIPs. Os dois prédios são interligados por passarelas. No ano passado, segundo a organização do GP, o local já foi utilizado apenas parcialmente.

O pacote de reformas é uma contrapartida da prefeitura para a renovação com a categoria para a realização do GP até 2020. Toda a revitalização custa R$ 160 milhões, com recursos federais do Programação de Aceleração do Crescimento (PAC) do Turismo. Os trabalhos começaram em 2014, com retoques na pista, e desde o ano seguinte se concentraram no paddock.

A área por onde passam pilotos, jornalistas, funcionários das equipes e alguns convidados era motivo de críticas na Fórmula 1 pela falta de espaço. Por isso, foi feito um novo projeto para a edificação ter mais espaço tanto para o trabalho, como para a circulação de pessoas. É neste novo prédio onde os operários trabalham agora para terminar integralmente o piso superior.

Para 2018, Interlagos vai erguer a altura dos boxes de 2,4m para 3m e terminar com a divisória fixa entre eles. Outra obra vai dar ao autódromo o primeiro paddock coberto da categoria. O custo destas intervenções será de aproximadamente R$ 35 milhões.

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