Proposta da FIA causa polêmica

A chiadeira contra a proposta de se adotar lastro nos carros dos vencedores na Fórmula 1 partiu dos maiores interessados em ver a Ferrari menos forte na próxima temporada: Patrick Head, sócio da Williams. e Martin Whitmarsh, diretor da McLaren. ?A idéia me parece de muito mau gosto?, disse Head. ?Será que o Arsenal tem de jogar com apenas nove jogadores para enfrentar o Chelsea, ou será necessário cortar algumas cordas da raquete de Pete Sampras quando ele jogar com Tim Henman?? Segunda-feira, o presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Max Mosley, e Bernie Ecclestone, promotor da F-1, distribuíram às equipes um dossiê com várias propostas para tornar o Mundial mais competitivo. A medida mais polêmica: a cada ponto conquistado o carro do vencedor receberia um quilo de lastro. ?Não a apoiaremos. Compreendemos sua preocupação com relação à falta de disputa, mas isso se deve ao grande trabalho realizado pela Ferrari?, disse Whitmarsh. Para o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, ?a F-1 não é gincana.? Montezemolo lembrou que Mosley e Ecclestone apresentaram uma proposta. ?Não é justo castigar o melhor com essas providências e quem decide o que mudar na F-1 é uma comissão.? A proposta está na pauta da votação no próximo encontro da Comissão de Fórmula 1, dia 28 em Londres. Já em Suzuka, no entanto, a partir desta quarta-feira, durante a realização da última etapa da temporada, o GP do Japão, os representantes das equipes se reunirão com Mosley e Ecclestone para começar a discutir a questão. Mas a decisão final só ocorrerá dia 28. Cabe à Comissão de F-1 definir as alterações técnicas e esportivas a serem introduzidas. Participam da comissão representantes dos pilotos, de todas as equipes, dos patrocinadores, dos organizadores de corridas, mais Mosley e Ecclestone, perfazendo um total de 24 votos. Se o tema é a revisão do regulamento técnico, seja qual for a mudança, é necessário que todos, sem exceção, aprovem. Se não houver unanimidade não é aprovada. Ocorre que Mosley e Ecclestone classificaram o conjunto de medidas como ?alteração do regulamento esportivo?, por ser uma tentativa de ?garantir maior competitividade? à F-1. E nos casos de revisão das regras esportivas basta que 75% da Comissão de F-1 a aprove para ser adotada. Como são 24 integrantes, se 18 aceitarem a proposta da FIA, portanto, o Mundial de 2003 retira, de cara, o amplo favoritismo da Ferrari, objetivo de Mosley e Ecclestone. Se Williams e McLaren já disseram não, Mosley e Ecclestone podem desde já, porém, contar com dois votos além dos seus: Eddie Jordan, sócio da Jordan, e Flavio Briatore, diretor da Renault. Há uma grande tendência de todas as escuderias médias e pequenas acatarem a proposta da FIA, por atender seus interesses. ?Não creio que a F-1 possa se permitir que a próxima temporada seja como esta?, afirmou Paul Stoddart, sócio da Minardi. O Mundial termina domingo, mas a Fórmula 1 continuará sendo discutida todos os dias até o fim do mês.

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