Prost e Minardi correm contra o tempo

Amanhã as equipes Prost Grand Prix e European Minardi apresentam em Melbourne, na Austrália, dois dias antes do primeiro treino para a etapa de abertura do Mundial, os seus modelos 2001. As duas escuderias foram as últimas classificadas na temporada passada e as únicas que não marcaram pontos. As expectativas de cada uma este ano, contudo, se opõem. "Vou provar para muita gente que com carro-monstro, como o nosso agora, não sou velho para a Fórmula 1", afirmou hoje Jean Alesi, da Prost. Já Paul Stoddart, novo sócio da Minardi, comentou: "Sou realista, penso que este ano ocuparemos sempre as duas últimas posições no grid." As reformulações na Prost foram tantas, e pelo visto para melhor, que não houve tempo para lançamento oficial de seu carro novo, o AP 04, equipado com motor e câmbio Ferrari. O mais experiente piloto em atividade, Alesi, 36 anos (dia 11 de junho completará 37) e 183 GPs no currículo, parecia hoje, no quente circuito Albert Park, que estava começando a carreira. "Com o AP 04 nós mudamos de categoria, estamos agora na Fórmula 1", diz. "Tá certo que os pneus ajudaram, mas nós nos tornamos cinco segundos mais velozes." Boa parte da imprensa o tem criticado, ao publicar que já está na hora de esse francês de Avignon, filho de sicilianos, se aposentar. "Eles verão o que eu ainda posso fazer com um bom carro na mão." Mas enquanto Alesi e o pessoal da Prost não vê a hora de mostrar que o time, sob nova administração, com Pedro Paulo Diniz como sócio de Alain Prost, nada tem a ver com o do ano passado, o pior da Fórmula 1, tudo o que Paul Stoddart, da Minardi, deseja é que as três primeiras corridas passem logo. Hoje, os mecânicos ainda apanhavam para montar os carros de Tarso Marques e do espanhol Fernando Alonso, os pilotos."Tenho muitos amigos aqui, nas outras equipes, e todos vieram me dizer que o que nós fizemos foi um milagre", conta Stoddart. "Em seis semanas construímos um carro de Fórmula 1 e estamos terminando aqui o segundo." Ele se confessa realista: "Será difícil nos classificarmos para as provas da Austrália, Malásia e Brasil, mas em seguida, em Ímola, começaremos a evoluir." O mundo ultraprofissional da Fórmula 1 contrasta com a realidade da Minardi, exposta hoje em Melbourne. Os integrantes do time com sede em Faenza procuravam compreender o local exato de cada componente do modelo PS 01, ainda novidade para todos. "Com um dos carros fizemos cerca de 100 quilômetros, numa pista só de retas (Vairano, na Itália), enquanto o outro nunca percorreu um metro", dizia rindo o talentoso Alonso, de 19 anos. "Vamos aproveitar os dois treinos livres de sexta-feira para o nosso shakedown (teste para verificar se o carro foi bem montado, dentre outras checagens primárias)", afirmou Stoddart.Por terem sido as últimas em 2000 entre os construtores, Prost e Minardi ocupam os dois últimos boxes do circuito australiano, posição oposta à da Ferrari e McLaren, as primeiras. As metas das duas piores, contudo, já estão planejadas. "Este ano eu terei de bancar boa parte das despesas porque não dá para convencer ninguém a investir na gente", explica Stoddart. "Acho possível em 2002 e 2003 passarmos às posições intermediárias do grid e em cinco anos, estabelecendo algumas parcerias, avançarmos mais nos resultados." Alesi é mais imediatista com a Prost. "Os tempos excepcionais que conseguimos na pré-temporada foram obtidos com o AP04 na configuração de classificação, verdade, mas sempre dentro do regulamento." Para ele, não é nada impossível que a equipe surpreenda já no início da temporada. "Simulamos quase todas as condições que experimentaremos aqui e o pessoal da Michelin comentou comigo que nossos resultados, com relação a desempenho e consumo dos pneus, foram os melhores." O francês prevê que a Prost pode até mesmo chegar ao pódio em alguma prova. "É realista pensar assim, o carro é outro, a escuderia tornou-me bem mais estável e nosso antigo projetista (Louic Bigois), depois de tantas burradas, foi mandado embora."

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