Sebastiaan Rozendaal/Dutch Photo Agency
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Pupilo de Felipe Massa e fã de rali, Caio Collet é mais uma aposta brasileira para a Fórmula 1

Piloto de 19 anos está na F-3 e, se tudo der certo, pode ganhar chance na principal categoria do automobilismo em 2024

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2021 | 15h00

A mais nova aposta para o futuro do Brasil na Fórmula 1 não tem sobrenome famoso e nem parentes badalados no automobilismo nacional. Mas tem resultados consistentes nas competições de base em nível mundial e conta um apoio de peso nos bastidores. O paulistano Caio Collet, de 19 anos, faz trajetória sólida do kart para os monopostos com o apoio moral e a amizade de Felipe Massa. O objetivo, claro, é chegar na categoria onde o compatriota foi vice-campeão mundial em 2008.

Curiosamente, o próprio Massa previu o sucesso de Collet em 2016, em entrevista ao Estadão. Na ocasião, ao ser questionado sobre futuros talentos do automobilismo brasileiro, o veterano cravou o nome daquele que viria a se tornar seu amigo pessoal, mesmo sem o conhecer. “O único nome que tem uma chance, embora não muito concreta e nem para um futuro tão próximo, é um menino chamado Caio Collet. Ele está correndo de kart na Europa. Parece que tem um grande talento”, disse Massa, na época.     

Cinco anos depois, Collet deixou de ser promessa. O jovem brasileiro brilhou no kart, com o terceiro lugar no Mundial de 2015. E foi campeão logo em sua primeira temporada nos monopostos ao levantar o troféu na Fórmula 4 Francesa em 2018. Em seguida, foi vice da Fórmula Renault, em 2020. Neste ano, disputou a Fórmula 3 da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e ficou em nono lugar no seu campeonato de estreia, entre 30 pilotos.

O bom rendimento não foi o suficiente para o exigente piloto. “Foi um pouquinho abaixo do esperado. Não aproveitei todas as oportunidades que tive. Cometi alguns erros aqui e ali. Claro que eu fui o segundo melhor estreante, sempre entre os dez primeiros. Das últimas dez corridas, terminei nove entre os cinco primeiros. Fui bem constante, mas faltou um pouquinho”, avalia Collet, em entrevista ao Estadão.

A exigência elevada se deve às metas que a equipe impõe ao piloto. Há planos claros para a evolução de Collet, que vai disputar novamente a F-3 em 2022, com o objetivo de brigar pelo título. Se isso se confirmar, a F-2 se tornará uma realidade para 2023. E, no ano seguinte, a Fórmula 1 se torna uma possibilidade real. Ele até poderá aparecer na categoria antes disso, como piloto de testes ou reserva da Alpine, novo nome da Renault.

“Existe essa possibilidade. Depende muito de resultado, de quem estiver na disputa. O ano que vem vai ser bem decisivo neste sentido”, comenta o brasileiro, que faz parte da academia da Alpine.

Para tanto, Collet conta com os conselhos do amigo Felipe Massa. “Na Europa, quando eu estou sozinho, ele me chama para ir na casa dele, passar um tempo lá. Ele me ajudou muito em 2018 e 2019, principalmente fora da pista”, revela o jovem piloto. “E me dá muitas dicas para a vida, sobre como se comportar em algumas situações, por exemplo. Acredito que são mais importantes do que orientações mais técnicas.”

Por coincidência, o agente de Collet é Nicolas Todt, o mesmo que comandou a carreira de Massa na F-1. O jovem passou a trabalhar com o filho de Jean Todt, atual presidente da FIA, antes mesmo de conhecer o compatriota mais famoso.

O piloto de 19 anos conta com uma trajetória incomum no automobilismo. Enquanto a maioria dos jovens talentos começa pelo kart, Collet se iniciou pelo rali, por influência do pai, Carlo Collet, ex-campeão do Rally dos Sertões, com participações também pelo Rally Dakar.  “Comecei andando de quadriciclo e de moto com ele no rali quando tinha três anos. Só mudei para o kart aos 8 porque sofri um pequeno acidente e minha mãe vetou. Meu pai acabou optando pelo kart por ser mais seguro.”

O rali, contudo, segue sendo uma paixão que divide com o pai. “Até hoje a gente brinca um pouco de rali. Diminuímos um pouquinho porque, se acontecer alguma coisa, posso me prejudicar por causa de exigências dos contratos (na F-3). Mas, sempre que dá, brincamos um pouco e tentamos ver quem é o mais rápido”, diz o piloto, entre risos, sem perder o espírito de competição.

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