Quatro escuderias vêm forte para a temporada 2013 de Fórmula 1

Red Bull deve enfrentar concorrência mais dura neste ano de Ferrari, Lotus e Mercedes

Livio Oricchio - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

16 de março de 2013 | 22h36

MELBOURNE - Se a temporada da Fórmula 1 do ano passado já entrou para a história como uma das mais espetaculares de todos os tempos, com oito vencedores diferentes de seis equipes nas 20 etapas, a de 2013 pode da mesma forma ter uma boa dose de emoção. Razão: oito pilotos de quatro times dos mais bem estruturados - Red Bull, Lotus, Mercedes e Ferrari - podem lutar pela vitória, ainda que, como o esperado, Sebastian Vettel e Mark Webber, de novo, parecem dispor do melhor equipamento.

A McLaren deve começar no grupo formado por Sauber, Force India e Williams, mas vai lutar ponto a ponto pelo quinto lugar entre os construtores. A manutenção do regulamento técnico e esportivo ajudou a aproximar o desempenho de todos, com exceção da Red Bull.

O Brasil larga na 64.ª temporada da história da Fórmula 1 apenas com Felipe Massa, da Ferrari, o que não ocorria desde 1978, campeonato em que o País se apresentou na prova de abertura, na Argentina, somente com Emerson Fittipaldi na sua equipe.

A Red Bull venceu tudo nas três últimas temporadas. Foram três títulos de pilotos com Sebastian Vettel e três de construtores. O que mais chama a atenção dos homens de grande vivência e história na F-1, como Luca di Montezemolo, da Ferrari, Frank Williams, da Williams, e Ron Dennis, da McLaren, por exemplo, é que a escuderia existe apenas desde 2005.

Mais: o origem da empresa não tem nada a ver com automóveis, como Ferrari, Mercedes, Renault, há muito mais tempo na competição, mas com a produção de uma bem-sucedida bebida energética. A Red Bull é um caso raro de idealismo do seu proprietário, o arrojado austríaco Dietrich Mateschitz, capaz de investir em atividades esportivas cerca de 35% do faturamento anual de US$ 2,5 bilhões (R$ 5 bilhões).

O projeto de F-1 divulga mundialmente seu energético, sem dúvida, associado a valores poderosos, como o máximo da tecnologia, onde estão os melhores pilotos do mundo, competição restrita somente a quem tem grande capacidade de investimento, dentre outras grandezas bastante favoráveis nesse universo do marketing. Mas mesmo tendo vencido tudo, entre o que a Red Bull investe e recebe, de forma direta e tangível, trata-se ainda de um negócio desfavorável. Daí a se respeitar e muito o idealismo de Mateschitz.

2014.

E para quem acha que esse reinado vai acabar logo, haverá no ano que vem uma profunda revisão conceitual da Fórmula 1, com a reintrodução do motor turbo e agora dois sistemas de recuperação de energia. E toda vez que há uma mudança radical das regras o histórico do diretor técnico da escuderia, o genial engenheiro inglês Adrian Newey, concebe algo que torna seus carros imbatíveis por pelo menos uma ou duas temporadas.

Se a história se repetir, a Red Bull poderá seguir vencendo, este ano, como demonstrou na pré-temporada, e a partir de 2014, na nova F-1. Ferrari, McLaren, Mercedes não estão medindo esforços e investimento para romper essa série invicta da organização de Mateschitz, mas sabem que não será fácil.

Nas três últimas temporadas a equipe quase monopolizou a competição. Em 58 GPs alcançou 28 vitórias (48,2%), 61 pódios (52,5%) e 41 poles (70,6%). Um sucesso impressionante.

FUTURO DO BRASIL 

O País está garantido na Fórmula 1 apenas este ano. O contrato de Felipe Massa com a Ferrari termina no fim do campeonato. O brasileiro precisará disputar excelente Mundial a fim de demonstrar para os líderes que decidem na Ferrari, ser aos 33 anos, em 2014, uma opção bastante válida ainda para a escuderia italiana, ao lado do competente Fernando Alonso.

Massa disputa a sua 11.ª temporada, a oitava pela Ferrari. Nesse espaço de tempo disputou 172 GPs, venceu 11, chegou 35 vezes ao pódio e largou em 15 ocasiões na pole position. Em 2008, foi vice-campeão. Não conquistou o título na última etapa, numa das corridas mais emocionantes de todos os tempos, em Interlagos, por um ponto para Lewis Hamilton, da McLaren, 98 a 97.

Se a Ferrari não renovar seu contrato será difícil para Massa permanecer na Fórmula 1. São bem poucas as vagas, hoje, destinadas a pilotos sem patrocinadores. "Se for para continuar na Fórmula 1 e na Ferrari, ótimo, trabalho para isso. Se não for o caso, vou seguir minha vida feliz da mesma forma por me considerar um piloto de muitas conquistas."

Os mais próximos de estrear na F-1 em 2014 são Luiz Razia e Felipe Nasr. Razia já havia assinado contrato com a equipe Marussia, mas diante de os patrocinadores não ratificarem o acordo perdeu a vaga para o francês Jules Bianchi. Nasr disputa sua segunda temporada na GP2. Tem chances elevadas de disputar o título.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.