Quem pode com a Mercedes?

Chegou o momento de sabermos se o carro que a Williams tem hoje é tão bom quanto o do ano passado. A pista austríaca, de alta velocidade, é bem recebida pela força do motor Mercedes, mas para superar os dois carros da própria equipe Mercedes e ocupar toda a primeira fila do grid do ano passado, com Massa e Bottas, o FW 36 tinha mesmo que ser um carro muito equilibrado. Que, aliás, com toda justiça, levou a equipe inglesa ao terceiro lugar no Mundial de Construtores.

Reginaldo Leme, O Estado de S. Paulo

20 de junho de 2015 | 03h00

O atual BT 37 é veloz, algumas vezes deixou em Massa a impressão de ser até melhor do que o modelo anterior, mas o primeiro pódio só veio na sétima etapa do ano (com Bottas) e está 76 pontos atrás da Ferrari. Mantém-se como terceira equipe, mas apenas porque a Red Bull despencou. 

A Red Bull, que foi a única a conseguir derrotar a Mercedes (três vezes) no ano passado, no atual campeonato não conseguiu ainda nem mesmo um pódio depois de sete corridas. Diante desse panorama, quem sobe é a Ferrari, que treinou muito bem ontem. A esperança é que as atualizações preparadas pela Williams para este fim de semana funcionem.

O terceiro treino (hoje, às 6h da manhã) deve ser mais uma indicação, mas como as equipes usam boa parte da atividade para testar os carros em condição de corrida, o melhor mesmo está reservado para a classificação das 9h. Promessa de boa briga e de chuva. Tomara que não se confirme a chuva porque no seco a briga é mais interessante.

A pista de Spielberg é veloz, mas tem muitas áreas de escape. Como elas são asfaltadas e pintadas, mesmo errando o piloto consegue voltar para a pista, apenas perdendo tempo. E como se erra!

Para quem não sabe, Spielberg, A-1 Ring e Zeltweg são todos a mesma coisa. O autódromo sempre esteve no mesmo lugar, numa área rural maravilhosa, cercado por pequenas cidades como Knittelfeld, Spielberg, Pausendorf, Sachendorf, Flatschach, Seckan e Zeltweg. Para se ter uma ideia do tamanho das cidades, a maior delas, Knittelfeld, tem 12 mil habitantes.

Em décadas passadas não havia hotéis e o pessoal se espalhava por pensões, as chamadas “gasthaus”, pequenas, mas de comida boa. Tão boa que a gente precisava do prestígio de Emerson Fittipaldi para conseguir uma mesa e dividir o restaurante com Bernie Ecclestone e outros chefões. Mas as pensões não eram suficientes. Muita gente recorria aos quartos em casas de família, oferecidas por placas de “zimmer frei” (quarto livre, disponível) à margem das estradas. Muito bom lembrar disso agora.

Na época conhecido por Zeltweg, o autódromo teve um GP em 1964, mas passou a fazer parte do Mundial em 1970, ano em que o austríaco Jochen Rindt ganhou o título mundial, embora tenha morrido na corrida seguinte. Já em 1971, Niki Lauda estreou neste GP, passando a disputar regularmente o campeonato a partir de 1972 para conquistar três títulos (1975, 77 e 84).

Curiosas são as coincidências entre Brasil e Áustria no automobilismo. Em 1970 foi a vitória de Emerson Fittipaldi em Watkins Glen que garantiu o título a Rindt, morto em Monza. Em 1974, Emerson foi bicampeão evitando que Lauda se tornasse o segundo austríaco campeão. Em 1979, Nelson Piquet, em seu primeiro campeonato, dividiu a Brabham com Lauda e o austríaco sentiu que era chegada a hora de parar, e caiu fora antes mesmo de terminar o campeonato. Ayrton Senna e Gerhard Berger dividiram a McLaren durante três anos e, em 1994, Roland Ratzenberger e Senna morreram no mesmo GP em San Marino.

A única vitória brasileira nesta pista foi a de Emerson em 1972. Em outras cinco vezes a bola bateu na trave. Duas vezes com Piquet (1984 e 1987), uma com Senna em 1985 e uma com Rubens Barrichello em 2002. Nesta, mais do que bater na trave, a Ferrari quis que Schumacher chutasse a bola para o gol. E entrou para a história como a maior vergonha que o alemão passou, sendo vaiado no pódio, o que o fez passar a taça de vencedor para as mãos de Rubinho. Na configuração atual, de 4.326 metros, o circuito é o terceiro mais veloz do campeonato, bem atrás de Silverstone e Monza.

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