Raikkonen entra na luta pelo título

Agora é para valer: Kimi Raikkonen, da McLaren, entrou definitivamente na luta pelo título. Como já havia feito na Espanha, dia 8, o finlandês dominou, neste domingo, o GP de Mônaco, da largada à bandeirada. E seu principal adversário, Fernando Alonso, da Renault, líder ainda do campeonato, pela primeira vez este ano não chegou ao pódio. Ficou em quarto. Raikkonen afirmou: "Venci em Barcelona e hoje aqui, pistas completamente distintas, não vejo por que não continuarei ganhando em outros circuitos." A diferença entre Alonso e Raikkonen ainda é grande, 22 pontos. O espanhol soma 49 pontos e o piloto da McLaren, em segundo, tem 27. Mas diante da diferença imposta a Alonso em pista por Raikkonen, 27,6 segundos na frente no GP da Espanha e 36,4 segundos neste domingo, o asturiano sabe que não será nada fácil manter-se na liderança do Mundial num futuro próximo. "Ainda bem que abri muitos pontos nas etapas iniciais. Neste instante Raikkonen tem um carro mais rápido que o nosso e, além disso, desfruta melhor os pneus (Michelin) do que nós", disse Alonso. Ele explicou que depois de 20 voltas (a corrida teve 78) seus pneus, embora fossem os duros, já davam sinais de desgaste. "Eu tinha de antecipar a hora de frear e estava quase impossível resistir ao ataque dos pilotos da Williams." Nick Heidfeld e Mark Webber, da Williams, conseguiram os melhores resultados de suas carreiras. Nick, segundo colocado, ultrapassou Alonso na 70.ª volta e Webber, na 74.ª. Alonso falou dos pneus: "Não sei como terminei a prova. Tenho de comemorar. Hoje era dia para sair daqui sem ponto algum." Seu parceiro na Renault, Giancarlo Fisichella, terceiro no início, acabou em 12.º, por conta do desgaste prematuro dos pneus Michelin. E pensar que a McLaren tinha os pneu moles. Na Williams o clima era de festa como há muito não se via. Desde o GP da França de 2003 não tinha dois pilotos no pódio. As relações com a BMW são tensas. Os alemães acham que lhe oferecem o melhor motor da Fórmula 1 (está longe de ser um consenso) e seu diretor, Mario Theissen, sempre dá a entender que a culpa pelos maus resultados é do chassi, responsabilidade da equipe. Neste domingo, tudo foi esquecido, mas por pouco. "O toque com Mark Webber na largada não comprometeu minha corrida", disse Nick."Devo a meu engenheiro também este segundo lugar porque ele antecipou meu segundo pit stop (na 57.ª volta). Quando Mark fez o seu, na volta seguinte, eu consegui ultrapassá-lo." Webber estava atrás de Alonso naquele instante, três segundos mais lento dos demais à frente por causa do elevado estado de degradação dos seus pneus. Webber lamentou o tempo perdido, mas não criticou Alonso. "Fez o seu papel." A McLaren quase põe tudo a perder quando na 23.ª volta um acidente interrompeu a pista. O holandês Christian Albers, da Minardi, errou na curva Mirabeau e ficou atravessado. Michael Schumacher, da Ferrari, sétimo ontem, brecou mas não evitou o choque com David Coulthard, da Red Bull, estacionado à frente de Albers. O safety car entrou na pista e, a essa altura, Alonso fez seu pit stop. A corrida teria, ainda, mais 57 voltas. "A equipe não me chamou para box porque eu tinha gasolina para fazer o pit stop apenas na 42.ª volta. Confesso que fiquei em dúvida à aquela hora se tínhamos acertado." Mas o ritmo da sua MP4/20 era mesmo "imbatível", como definiu Rubens Barrichello, da Ferrari, oitavo (criticou muito Schumacher). "Eu abria fácil dos meus adversários, compreendi logo que faria meu pit stop e retornaria ainda em primeiro, sem dificuldades", esnobou Raikkonen. Foi o que aconteceu. "Claro que ajudou o fato de Alonso ter ficado apenas em quarto, mas esse sistema de pontos me permite tirar apenas poucos pontos por prova", reclamou o finlandês. Raikkonen à parte, a corrida foi emocionante. Houve luta por quase todas as demais posições, até a bandeirada, como a entre Ralf Schumacher, da Toyota, e o irmão, pelo sexto lugar. "Michael é louco, às vezes ele desliga o cérebro e faz essas manobras", afirmou Ralf, com raiva. Quase na linha de chegada Schumacher tirou sua Ferrari do vácuo da Toyota de Ralf, colocou-a lado a lado e não fosse Ralf mudar a trajetória, teriam batido feio. A próxima etapa do campeonato, sétima, será domingo, o GP da Europa, em Nurburgring.

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