Manu Fernandez/AP
Manu Fernandez/AP

Raikkonen minimiza problemas da Lotus em testes da pré-temporada da F-1

Falhas na transmissão levaram o finlandês a completar apenas 43 voltas em Barcelona

Livio Oricchio, O Estado de S. Paulo

20 de fevereiro de 2013 | 19h52

BARCELONA - Enquanto o mexicano Sérgio Perez, da McLaren, estabelecia o melhor tempo do dia, nesta quarta-feira no Circuito da Catalunha, com os pneus macios da Pirelli, Kimi Raikkonen aguardava sua equipe, a Lotus, reparar o carro. Problemas na transmissão levaram o finlandês a completar apenas 43 voltas na pista de 4.655 metros. Já Perez, 97.

O Estado ouviu Raikkonen, já que no dia anterior dificuldades no sistema de telemetria, recurso destinado a captar dados sobre o funcionamento do carro, o fizeram, da mesma forma, ficar parado bastante tempo. Como quase não treinou nesta quarta, o que teria visto nos adversários, como a McLaren de Perez ou no Red Bull do tricampeão, Sebastian Vettel, segundo mais veloz, que lhe chamou a atenção? No seu melhor estilo, Raikkonen respondeu: "Não vi os testes, estava assistindo à televisão".

Em 2009, o GP da Malásia foi interrompido na 31.ª volta de um total de 56 por causa da chuva forte. Enquanto aguardava a definição do diretor de prova, Charlie Whiting, sobre haver ou não relargada, a maioria dos pilotos se manteve concentrada, dentro do carro. Kimi, no entanto, percorreu os boxes de seu time, a Ferrari, chupando sorvete.

Esse aparente desinteresse e as reações nada comuns nesse mundo superprofissional da Fórmula 1 se contrapõem a sua eficiência como piloto, mesmo sem acompanhar o trabalho dos concorrentes, sempre útil nesse universo onde se busca milésimos de segundo.

O chefe da Lotus, Eric Boullier, encontrou uma receita saudável para conviver com Raikkonen: "Deixe-o. Você terá o melhor de Kimi". Até os abusos com álcool em festas parecem estar moderados, agora.

Com os problemas técnicos nos treinos em Jerez de la Frontera, semana passada, e nos dois primeiros dias em Barcelona, Raikkonen terá agora somente dois dias de testes, na próxima semana, também no Circuito da Cem Barcelona, até se apresentar para a etapa de abertura do Mundial, dia 17 na Austrália.

"Não vejo razão por não ser suficiente", afirmou o piloto da Lotus, sempre com aquele olhar distante, voz baixa, pausada, demonstrando o que parece ser desinteresse na conversa. Isso ocorre até mesmo nos eventos promocionais com as empresas que pagam seu milionário salário, estimado em 6 milhões de euros, mais prêmio por conquista.

O modelo E21-Renault da Lotus é veloz, mas as repetidas panes este ano sugerem ser necessário maior tempo de preparação, diferentemente do que afirma seu principal piloto. "É normal ficar parado nos boxes por falta de peças de reserva, tudo é novo agora", justificou. Na melhor das suas 43 voltas o finlandês registrou 1min22s697, terceiro tempo, com os pneus médios da Pirelli. O seu companheiro, o francês Romain Grosjean, assume o carro nesta quinta-feira. A má notícia para a Lotus é a previsão de chuva para sexta.

Lewis Hamilton, da Mercedes, ficou em quarto, com ótimo 1min23s726 (121) para os pneus duros da Pirelli, e Fernando Alonso, Ferrari, em quinto, 1min23s247 (76), de pneus médios.

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