Raikkonen põe a culpa no regulamento

Kimi Raikkonen chegou nos boxes, logo depois da corrida, e não pensou muito antes de começar a falar: "É preciso esclarecer essa regra de poder trocar um pneu que está colocando sua segurança em jogo", afirmou. O pneu dianteiro direito da sua McLaren ficou um tanto achatado quando precisou frear forte para ultrapassar Jacques Villeneuve, da Sauber, para lhe dar uma volta, na 33.ª passagem. A partir daí, pneu, suspensão dianteira direita e todo o carro começaram a vibrar bastante. "Eu não sabia e não sei se o regulamento me permitiria parar e substituir aquele pneu. Nas últimas 20 voltas eu mal via a pista de tanto que a frente do meu carro pulava." Como largou melhor que o pole position, Nick Heidfeld, da Williams, Kimi assumiu a liderança do GP da Europa já no início e só a perdeu nos instantes de pit stop (fez dois, nas voltas 18 e 43 de um total de 60), além, claro, depois de tudo que lhe ocorreu no começo da última volta. O pneu não explodiu, mas a suspensão rompeu-se em pedaços, quando era líder, por ter sido forçada pelas vibrações contínuas e progressivas. "Consultei a equipe, pelo rádio, pouco antes, para saber o que fazer. Decidimos juntos permanecer na pista em razão de podermos ser punidos e também porque, se parasse, Fernando Alonso (Renault) me ultrapassaria e eu necessito terminar as corridas na sua frente." Se tivesse completado a 59.ª volta, a última, em primeiro, reduziria a diferença que havia para Alonso de 22 para 20 pontos. Com o inesperado abandono, essa diferença se estendeu para 32 pontos. "É quase a mesma que havia antes do GP da Espanha", lembrou o finlandês. Lá era de 29 pontos. A partir da prova de Barcelona ele e a McLaren iniciaram extraordinária reação, com duas vitórias seguidas, Espanha e Mônaco. "Qual é o limite de desgaste para poder trocar um pneu. Será que hoje eu poderia fazê-lo? A FIA tem de esclarecer, é uma questão de segurança", insistiu. "Hoje eu tive azar, mas em alguma corrida Alonso também terá problemas." Até agora o espanhol marcou pontos nas sete etapas e apenas em Mônaco não chegou no pódio. "Estou muito, mas muito desapontado mesmo com o que ocorreu", falou Kimi, em voz baixa e visivelmente triste. Parece provável que Charlie Whiting, diretor de segurança e largada da FIA, se manifeste antes da próxima etapa, o GP do Canadá, dia 12, para estabelecer uma regra mais clara sobre quando é permitido e proibido substituir um pneu. Não fosse a boa área de escape em todas as curvas do circuito de Nurburgring, o acidente de Kimi poderia ter sido bastante sério.

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