Edgard Su/Reuters
Edgard Su/Reuters

Raikkonen, vencedor na Austrália, começa na frente também na Malásia

Finlandês estabeleceu o melhor tempo do dia, 1min36s569; Vettel ficou em segundo

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2013 | 08h47

KUALA LUMPUR - O avanço demonstrado pela equipe Lotus na abertura do campeonato, ao vencer o GP da Austrália com o notável Kimi Raikkonen, domingo em Melbourne, parece não ser um episódio isolado de eficiência. Nesta sexta-feira, nos primeiros treinos livres da segunda etapa da temporada, no circuito de Sepang, na Malásia, o finlandês estabeleceu o melhor tempo do dia, 1min36s569, à média de 206,6 km/h.

Numa pista onde a aerodinâmica conta mais que no circuito Albert Park, na Austrália, Sebastian Vettel levou o modelo RB9-Renault da Red Bull à segunda colocação, seguido do combativo Felipe Massa, da Ferrari, e o companheiro, Fernando Alonso, todos próximos. Massa, terceiro, ficou a apenas 92 milésimos de segundo de Raikkonen e, de novo, na frente de Alonso.

"Foi apenas um treino livre, precisamos esperar a classificação, mas estou contente com o carro", disse ao Estado, Massa, enquanto caminhava para a reunião dos pilotos com o diretor de prova, Charlie Whiting, rotina às sextas-feiras nos Gps. A Ferrari não autoriza seus pilotos conversarem com a imprensa.

A exemplo da etapa de Melbourne, os pneus vão ser determinantes já no sábado, na sessão que definirá o grid em Sepang, com temperaturas e umidade do ar elevadíssimas. "A degradação será muito elevada, tanto com os pneus duros quanto com os médios", disse Massa. A Pirelli levou os dois tipos para a Malásia.

Com a diferença de 11 horas entre Brasília e Kuala Lumpur, a capital malaia, o treino que definirá o grid vai começar às 5 horas da próxima madrugada, 16 horas no circuito de Sepang. É bem a hora que costuma chover quase todo dia no sul da Malásia.

Os organizadores da Fórmula 1 escolhem esse horário para que na Europa, o maior universo de telespectadores da competição, tanto a classificação quanto a corrida comecem às 9 horas. Mas expõe as duas disputas a alto risco de serem realizadas sob chuva, por vezes tão intensa que não é possível prosseguir com a competição. Em 2009 a corrida teve somente 31 das 56 voltas no seletivo traçado de 5.543 metros de extensão por causa da tormenta que caiu em Kuala Lumpur.

Raikkonen, não poderia ser diferente, estava satisfeito com o comportamento do modelo E21-Renault da Lotus. "É uma pista totalmente diferente da de Melbourne, bem como as condições. Mas me senti à vontade no carro, como lá, o que é um bom sinal." O finlandês disse mais: "Não pude dar muitas voltas seguidas de manhã porque tive problemas com o Kers (sistema de recuperação de energia) e à tarde choveu. Mas acredito que não deveremos ter problemas com o desgaste dos pneus".

A Lotus introduziu pequenas mudanças no sistema de escapamento do E21. "O carro melhorou um pouco, deveremos mantê-las no restante do fim de semana", explicou Raikkonen. "Sinto que estamos mais fortes em todas as condições em relação ao ano passado, portanto temos se trabalharmos bem temos chances de ganhar bem mais que uma corrida, como em 2012", comentou o finlandês, fugindo de seu estilo prudente nas previsões.

Na sessão da tarde, faltando 35 minutos para o encerramento do segundo treino, caiu uma leve chuva no autódromo. E quando restavam 10 minutos formou-se uma trilha seca, pois a chuva parou logo em seguida. A evaporação na Malásia é intensa e rápida. A maioria, contudo, não melhorou seus tempos.

O diretor da Pirelli, Paul Hembery, abordou o problema enfrentado pela Red Bull e Williams, notadamente, em Melbourne. Os três times foram os que mais sofreram com o desgaste elevado dos pneus. "Os outros não tiveram as mesmas dificuldades. Se você exige tudo dos pneus nas primeiras voltas, eles apresentam graining e depois não há mais como recuperar esses pneus, a aderência não será a normal."

Graining é quando os pneus superaquecem por alguns instantes, quando superexigidos no início, e parte da borracha da banda de rodagem, a que fica em contato com o solo, se solta, e pelo movimento do carro acaba por se enrolar. Esses "rolinhos" grudam na banda de rodagem impedindo o contato ideal do pneu com o solo, o que reduz sua capacidade de aderência.

A Mercedes submeteu Nico Rosberg e Lewis Hamilton a permanecer a maior parte do tempo na pista com elevado volume de combustível. "Na Austrália fomos bem na classificação e não tão bem na corrida. Na Malásia temos de melhorar nosso ritmo de corrida", falou Ross Brawn, diretor técnico da equipe. Os seus dois pilotos estiverem dentre os que mais voltas completaram nas suas sessões livres. Rosberg registrou o sétimo tempo e Hamilton, o nono.

Os pilotos da McLaren continuam sofrendo com o desequilíbrio do novo modelo MP4/28-Mercedes. Há um rumor forte de que já para o GP da China, dia 14 de abril, a McLaren voltará a utilizar o carro de 2012, vencedor das duas últimas etapas do campeonato, Estados Unidos, com Hamilton, e Brasil, Jenson Button. Hoje Sergio Perez, substituto de Hamilton, ficou em 11.º e Button, 12.º.

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