Raikkonen visita circuito australiano

Como parte dos preparativos para o seu primeiro GP de Fórmula 1 e interessado em conhecer o traçado do circuito Albert Park, na Austrália, o polêmico finlandês Kimi Raikkonen, de 21 anos, novo piloto da Sauber, chegou mais cedo ao local da prova. Sandália de dedo, pés sujos, bermuda larga e longa, cintura baixa. Camisa da equipe Sauber por fora, amassada, boné com a aba encurvada, em forma de U. A pele clara do rosto juvenil queimada pelo sol e unhas roídas, mal parece um verdadeiro piloto da categoria máxima do automobilismo."Nunca havia voado mais de quatro horas na minha vida, por isso decidi chegar cedo na Austrália." Suas respostas trazem sempre a rebeldia adolescente. Quase monossilábicas, traduzem com clareza sua preferência por não estar ali, atendendo à imprensa. Nem o presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Max Mosley, escapa de sua indiferença: "Ele pode pensar o que quiser", afirma Kimi ao ser lembrado que Mosley era contra ele correr na F-1, por causa da pouca experiência.Depois dos bons testes que fez na pré-temporada com modelo C20 da Sauber, Kimi disse, confirmando a fama de novo Eddie Irvine, ou outsider: "A F-1 não difere em nada do que imaginava." A lista dos desprezados se segue. Primeiro Mosley, agora Mika Hakkinen, campeão do mundo em 1998 e 1999, finlandês também. "Não o conheço. Nunca falei com ele. Ídolo? Não!", diz Kimi. Às críticas que vem recebendo, até dos colegas, sobre o risco que representa para todos um piloto que disputou apenas 23 corridas, nenhuma sequer de Fórmula 3 ou Fórmula 3000, Kimi responde: "Não me importo com o que eles pensam.Vim aqui com um objetivo e irei cumpri-lo, não acho irreal estar entre os 10 melhores desde já." Por ser piloto da Sauber, time que compete com motor Ferrari, Kimi treinou em Mugello nos mesmos dias em que Michael Schumacher esteve na pista com a nova Ferrari F2001. Isso também não gerou nele emoções distintas. "Nenhum piloto ou equipe despertam qualquer interesse maior em mim." Sobre a invasão de jovens de talento como ele, depois de Jenson Button impressionar ano passado, Kimi analisa o fenômeno da seguinte forma: "Não sei, não conheço nenhum." Passeio - Pela manhã, o piloto da Sauber passou por experiência única. Foi convidado para acompanhar uma exibição da esquadrilha da fumaça, a bordo de um de seus aviões. Mas nem na hora de contar a aventura ele sorri: "É diferente, bom, até me deixaram controlar o manche em alguns momentos." E o papo acaba ali, secamente, ao virar as costas, deixar o repórter falando sozinho e entrar nos box da equipe. A história mostra que a F-1 costuma cobrar caro dos que se sentem onipresentes, desinteressados de algumas regras básicas de conduta, fora e dentro das pistas.

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