Ralf acerta sua previsão na Malásia

As voltas se sucediam, 24.ª, 25.ª e nada de Ralf Schumacher parar nos boxes para o primeiro pit stop. Algumas voltas depois, na 31.ª, precisamente, os dirigentes da Ferrari e todos que acompanhavam o GP da Malásia compreenderam o que quase ninguém suspeitava antes da largada: o piloto da Williams faria, sob temperatura do ar de 34 graus e do asfalto de 42 graus, uma única parada. Estava desenhada uma vitória ainda mais avassaladora sobre todos os demais que a estabelecida por Michael Schumacher, na Austrália. "O que dizer? Tudo funcionou com perfeição. O carro, o motor, os pneus, a equipe", disse Ralf Schumacher, que conquistou sua quarta vitória na F-1. "E pensar que depois da classificação ninguém pensou que esse resultado seria possível, não é? Ele reconheceu que o acidente na largada o ajudou. "Em primeiro lugar, não vi motivo para punirem Juan Pablo Montoya, foi um acidente de corrida. Tive sorte com o ocorrido, é verdade, mas isso faz parte do jogo." Depois da vitória de seu irmão Michael na Austrália, em especial em razão da diferença imposta a Montoya, segundo colocado, 18 segundos e 628 milésimos, Ralf foi um dos únicos que não se desesperou. E hoje ele lembrou o fato: "Afirmei lá que não havia motivo para ficar horrorizado." Os pneus Michelin da Williams têm responsabilidade direta na conquista, admitiu. "Aqui eles estiveram muito bem, mas não foram só eles que ganharam a prova." O diretor da empresa francesa, Pierre Dupasquier, irritou-se com uma declaração de Michael Schumacher, que afirmou que os pneus Bridgestone corresponderam a 80% da sua vitória em Melbourne. "Quem diz isso é bastardo, estúpido. Michael disse porque é pago para isso." Dupasquier distribuiu duas folhas de estatísticas, mostrando que enquanto na Austrália os 10 pilotos Bridgestone foram, na média, 553 milésimos de segundo mais velozes que em 2002, em relação a seus tempos no grid em 2001, os da Michelin foram 1 segundo e 89 milésimos. No grid de Sepang, os da Bridgestone tiveram média de 648 milésimos de segundo pior que em 2001, ao passo que os com os pneus franceses, 107 milésimos de segundo pior. O tempo da pole position no GP da Malásia, este ano, ficou abaixo daquele de 2001. Juan Pablo Montoya citou o próprio Michael Schumacher para expressar sua reprovação aos comissários desportivos, que o puniram com um drive trough. "Schumacher mesmo me defendeu." Ele comentou já esperar que o alemão fosse para dentro da pista, a fim de defender sua liderança, depois da largada. "Dei espaço a ele, o que ocorre é que seu carro saiu de frente e me atingiu, típico acidente de corrida." Já no sábado o colombiano dizia-se frustrado por não ter obtido a pole (largou em segundo). Hoje de novo ficou com um nó na garganta. "Tinha carro e pneu para ganhar a corrida." Por suas vezes Montoya teve de recorrer a todo seu arrojo e talento, para terminar num brilhante segundo lugar. Na largada, quando caiu de segundo para 12.º, e após cumprir o drive through, quando já era 6.º e foi parar em 9.º. Nessa sua luta para recuperar as posições, fez a melhor volta da prova, na 38.ª passagem, com 1min38s049, média de 203,518 km/h. Ele e Ralf Schumacher não escondiam, já hoje, sua enorme expectativa em relação à próxima etapa do Mundial, dia 31 no Brasil. "Fomos bem mais rápidos que a Ferrari lá no ano passado. Não tenha dúvida de que será bem difícil para Michael e Rubens nos baterem em Interlagos." O diretor da BMW, Mário Theissen, lembrou que nem mesmo quando a empresa conquistou com Nelson Piquet e a Brabham, em 1983, o primeiro título mundial da era turbo, obteve uma dobradinha, como hoje. "É um resultado importante para nós e para a F-1", disse. A Williams agora lidera o Campeonato de Construtores, com 22 pontos, diante de 14 da Ferrari e apenas quatro da McLaren-Mercedes. A última vez que a Williams ficou em primeiro entre os construtores foi em 1997. Entre os pilotos, Schumacher permaneceu na frente, 14 pontos, mas Montoya tem 12, decorrentes de duas segundas colocações, e Ralf 10, da vitória de hoje. O Mundial parece, felizmente, aberto.

Agencia Estado,

17 Março 2002 | 14h09

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