Rali Dacar pode trocar a África pela América do Sul

Mais famosa competição off-road do mundo pode mudar de continente; Brasil estaria na rota

Jair Rattner, Especial para O Estado de S. Paulo

05 de janeiro de 2008 | 14h02

O cancelamento do Dacar - anunciado nesta sexta-feira - foi considerado por muitos pilotos como o fim da atual corrida. Os portugueses Elizabete Jacinto e Bernardo Vilar disseram que seria o fim da prova no formato atual. "Vai ser complicado convencer todo mundo a entrar de novo no Dacar, com a hipótese de não dar certo", disse Vilar. Elisabete concordou: "O Dacar, como o conhecemos, pode terminar aqui."   Ao anunciar o cancelamento, que aconteceu devido a ameaça de ataques terroristas aos competidores, Étienne Lavigne, o responsável pela ASO (Amaury Sports Organization), empresa que organiza o Dacar, disse: "Propomos a todos os apaixonados pelos ralis uma nova aventura para 2009." Mas ele se recusou a dizer se seria na África ou se terminaria na capital do Senegal.   O brasileiro André Azevedo, que disputaria o rali na categoria caminhões, acha que poderia ser na América do Sul. "A ASO, que organiza o Dacar, comprou os direitos do Rali dos Pampas e na Patagônia há locais com condições semelhantes às do Deserto do Saara, até mais difíceis, com mais vento. E temos a vantagem de não haver problemas com terrorismo."   A idéia de fazer o rali na América do Sul já tem mais de 20 anos. Antes de morrer, o idealizador do Paris-Dacar, Thierry Sabine, esteve no Brasil, onde pensava em organizar um rali transamazônico. A idéia era ter dois ralis anualmente, um no fim do ano para a África, no hemisfério norte, e outro no meio do ano, na América Latina. "O rali nem sempre foi para Dacar. Houve um ano em que o percurso foi entre Paris e a Cidade do Cabo, na África do Sul. A América do Sul tem muito potencial para receber um rali desses", afirma André.   O maior rali do mundo teve a sua primeira edição em 1979 (com início em 26 de dezembro de 1978), um ano após Thierry Sabine ter se perdido no deserto e decidir que seria um bom lugar para um rali regular. De início, a prova começava em Paris e terminava em Dacar.   Por causa de razões políticas, de segurança, de patrocínios e outros fatores, o Dacar teve o trajeto variado durante os anos. Em 1994, foi a única vez em que o rali teve largada e chegada em Paris.   Brasil na rota do Dacar   Se a mudança no cenário do rali realmente acontecer, o Brasil pode fazer parte do trajeto, pelo menos na avaliação do organizador do Rali dos Sertões, Marcos Moraes. "A América do Sul tem condições semelhantes ao Dacar no Chile e na Argentina. O Brasil, que tem uma malha viária interessante, logística e é um país grande."   Piloto brasileiro no Dacar, André Azevedo também aprova a realização do Dacar na América do Sul. "Acho muito bom poder ter um Dacar no Brasil. Se juntarmos Argentina, Chile e a Amazônia, nos locais onde não haja degradação do ambiente, acho que seria excepcional. Na comparação com a África e o Oriente, temos mais estabilidade política, e isso ajuda muito."

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