Reforma mudou a cara de Interlagos

O motivo maior de o delegado de segurança da Fórmula 1, Charlie Whiting, não ter solicitado nenhuma modificação no circuito de Interlagos, quinta-feira, depois de vistoriar a pista, é um só: há muitos anos o autódromo não passava por reforma tão grande como a promovida este ano. "Recapeamos parte do traçado, melhoramos a drenagem, refizemos a rede de abastecimento de água, construímos os escritórios para as equipes, criamos uma estrutura de combate a incêndio, dentre outras obras", disse hoje Júlio Lima, administrador de Interlagos. Mas há algo mais: os cuidados com pintura e jardinagem deixaram o cenário do GP do Brasil bem mais bonito. Na sua história de 63 anos, o circuito passou por duas reformas estruturais. A primeira, em 1969, quando começou a receber provas regulares do calendário internacional, com um torneio de Fórmula Ford 1600, em que a estrela era Emerson Fittipaldi, e em 1990, para receber a Fórmula 1 de volta. Os trabalhos dos últimos meses na pista não atingem à extensão dos dois anteriores, mas não deixam de ter importante participação na melhoria geral de Interlagos. "Tudo ficou mais fácil para nós", comenta o diretor de prova do GP Brasil, Carlos Montagner. "Organizar um evento como a Fórmula 1 é bastante complexo e dispor de condições é fundamental para que dê certo." O investimento da prefeitura na última reforma foi de R$ 24,5 milhões, conforme explicou Julio Lima. Esse dinheiro permitiu atenuar um antigo problema do circuito: o piso irregular. "Recapeamos três trechos significativos do traçado de 4.309 metros", contou Montagner. E a ausência de reclamações dos pilotos, hoje à tarde, depois dos treinos, apesar da chuva, sugere que o asfalto de fato melhorou. A construção de novas caixas de captação de água, a fim de atenuar os problemas de drenagem da pista também funcionaram. Ocorre, porém, que a topografia acidentada do circuito dificulta sobremaneira a não formação de poças. A experiência de hoje evidenciou o fato, mesmo com as melhorias. "Nós vivíamos com caminhões-pipa aqui porque a rede hidráulica do autódromo não dava conta da necessidade do GP", lembrou Lima. "Aumentamos consideravelmente nossa capacidade hidráulica e não precisamos mais de trazer água de fora." Outra obra importante foi a instalação da rede de água pressurizada para combater o fogo na área do paddock. Mais: geradores extras foram conectados não apenas aos circuitos essenciais, mas a outros. "Ninguém mais fica sem luz", fala Lima. Mas o que talvez mais agradou a todos foi a construção dos escritórios das equipes, no paddock, área localizada atrás dos boxes. "Podemos trabalhar com muito mais conforto", disse Stefania Bocchi, da Ferrari. E entre esses escritórios, há agora novos, amplos e bem cuidados banheiros. Até ano passado os integrantes dos times eram obrigados a utilizar divisórias de plástico dentro dos boxes para separar as suas várias atividades durante os dias de prova. "Este é o circuito mais apertado de todos, apesar de o Brasil ser uma das maiores nações do mundo", costumava dizer o ex-coordenador da antiga Benetton, Juan Villadelpratt. Um ponto em especial representa ainda perigo para os pilotos, a curva Mergulho, e não foi tocado. "Precisamos elevar o muro de arrimo ou abaixar a pista para nivelar o asfalto com a área de escape", explicou Montanger. Trata-se de uma obra grande, não barata, mas necessária. Lima citou o que se pensa fazer no autódromo para 2004 e a reforma do Mergulho pode não estar incluída: "Pensamos em construir arquibancadas fixas e novas áreas de escritórios."

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