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Reportagens reforçam suspeita de farsa na batida de Nelsinho

Imprensa europeia afirma que Briatore pediu que o brasileiro batesse em Cingapura para favorecer Alonso

Livio Oricchio, O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2009 | 19h26

MONZA - O GP da Itália será quente, dentro e fora da pista. Nos velozes 5.793 metros de Monza, Jenson Button e Rubens Barrichello, da Brawn GP, junto de Sebastian Vettel e Mark Webber, da Red Bull, vão continuar lutando pelo título. Mas na área do paddock, atrás dos boxes, a temperatura já esquentou desde esta quarta-feira: as duas mais importantes revistas de automobilismo, Autosport, inglesa, e Autosprint, italiana, publicaram na edição desta semana detalhes do que teria sido a farsa de Flavio Briatore, diretor da Renault, no GP de Cingapura do ano passado.

 

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A Autosport conseguiu informações importantes, já disponíveis para os comissários da FIA que investigam o caso e segunda-feira irão julgá-lo, em Paris. Diz, por exemplo, que foi Nelson Piquet, o pai, quem procurou Max Mosley, presidente da FIA, para denunciar a farsa, logo depois de Briatore dispensar o filho, após o GP da Hungria, dia 26 de julho.

 

A reportagem explica que no domingo, antes da largada, Briatore, seu diretor de engenharia e estrategista, Pat Symonds, se reuniram com Nelsinho.

 

Solicitaram ao piloto que batesse, deliberadamente, entre as voltas 13 e 14, na curva 17, por não haver ali guindaste, provocando, necessariamente, a entrada do safety car na pista. Seu companheiro, Fernando Alonso, faria pit stop pouco antes, e seria altamente beneficiado com a manobra. Tudo funcionou à perfeição e o espanhol venceu o GP de Cingapura de 2007.

 

A Autosprint alega ter obtido dados da telemetria do carro de Nelsinho. O piloto ao iniciar a curva 17 compreende que as rodas começam a girar em falso e, ao contrário do que faz nas voltas anteriores, acelera ainda mais para provocar a perda de controle.

 

Foram esses dados, combinados, que levaram Mosley a convocar reunião extraordinária do Conselho Mundial, segunda-feira. É a oportunidade para o dirigente, também, atingir um velho desafeto, Briatore, um dos líderes da Fota, que exigiram de Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, a saída de Mosley da FIA se desejasse continuar conduzindo a Fórmula 1.

 

A pergunta que está no ar é: por que Nelsinho teria concordado em atender Briatore e Symonds? Simples: o diretor da Renault lhe garantiria a renovação do contrato para este ano. Como aconteceu. Mas ele nem terminou a temporada. O italiano o substituiu pelo francês Romain Grosjean a partir da etapa de Valência, dia 23. Daí a iniciativa da família Piquet.

 

A exemplo de Alonso em 2007, quando denunciou sua própria equipe, a McLaren, no escândalo de espionagem contra a Ferrari, é provável que Nelsinho não seja punido pela FIA. Piloto e entidade fizeram um acordo: eu conto tudo e você não me pune. Mas, se tudo for comprovado, como os indícios sugerem, Briatore, Symonds e até a equipe francesa sofrerão sanções pesadas.

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