Issei Kato/Reuters
Issei Kato/Reuters

Revolta de Alonso com a ineficiência da Ferrari é cada vez mais evidente

Piloto fica inconformado com o décimo melhor tempo, de 1min35s087

Livio Oricchio - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2013 | 08h11

SUZUKA - Quem conhece Fernando Alonso há vários anos e está presente a quase todas as suas entrevistas, desde os tempos de Renault, de 2003 a 2006 e depois de 2008 a 2009, é capaz de ver nele sinais nítidos de insatisfação profunda com a equipe italiana. Alonso se considera o melhor piloto, é isso mesmo, pensa dessa forma, e não suporta mais assistir aos outros disporem de carro melhor que o seu e ele não poder expor suas qualidades que, de fato, são muitas.

Nesta sexta-feira no circuito de Suzuka, por exemplo, depois das duas sessões livres do GP do Japão, demonstrou inconformismo com o décimo tempo, 1min35s087, nada menos de 1 segundo e 235 milésimos pior que a marca de Sebastian Vettel, da Red Bull, o mais veloz. "Temos de buscar alguns décimos no nosso carro até amanhã. Estar atrás da Red Bull e da Mercedes é algo mais ou menos normal, mas agora estamos atrás da Toro Rosso de Ricciardo, da McLaren, e Hulkenberg amanhã deve vir aí também", disse, visivelmente irritado o espanhol.

Ainda que se trate de um treino livre, foram três horas de trabalhos na pista, uma hora e meia de manhã e outra sessão igual à tarde. "Não temos ritmo. Mas já esperava isso, afinal entre a corrida da Coreia e estarmos aqui no Japão passaram-se apenas cinco dias, não há milagre."

Para Alonso, a Ferrari tem de mudar totalmente o seu carro para ver se consegue torná-lo mais veloz e equilibrado. Além da dupla da Red Bull na frente, com Vettel e Mark Webber, primeiro e segundo, na sequência vieram Nico Rosberg, da Mercedes, terceiro, Kimi Raikkonen, Lotus, quarto, Romain Grosjean, Lotus, quinto, e Lewis Hamilton, Mercedes, sexto. O problema para Alonso está nos demais. Daniel Ricciardo, da Toro Rosso, foi sétimo, seu companheiro, Felipe Massa, oitavo, e Jenson Button, McLaren, nono. A cada etapa Alonso vê o modelo F138 da Ferrari perder desempenho para os concorrentes. Não sonha mais com a disputa do título, impossível há várias etapas com o carro que tem, mas seu instinto de vencedor, de ser programado para ao menos lutar o está levando a criticar publicamente a Ferrari de novo, ainda que moderadamente.

Sua esperança não está na sessão que definirá o grid do GP do Japão, na próxima madrugada, às duas horas, horário de Brasília, pois a Ferrari não é muito eficiente nas classificações, mas ao longo das 53 voltas da corrida, domingo. "Para isso precisamos reencontrar o nosso ritmo, o que não tivemos hoje", afirmou. Para evitar de Vettel ser tetracampeão, ao menos em Suzuka, Alonso precisa de pelo menos um oitavo lugar, independentemente da classificação do alemão.

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