Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Rio Motorsports adquire direitos de transmissão da Fórmula 1 para o Brasil por cinco anos

Consórcio que pretende construir autódromo no Rio fecha contrato e vai sublicenciar a exibição para TV aberta, TV fechada e streaming

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2020 | 13h53

A Fórmula 1 fechou a venda dos direitos de transmissão da categoria para o Brasil pelos próximos cinco anos com a Rio Motorsports. Como o contrato da Rede Globo com a F-1 é válido somente até dezembro deste ano e não será renovado, conforme informou a emissora, o responsável agora pela exibição dos treinos e provas do campeonato mundial será a mesma empresa que tem projeto para construir e administrar um novo autódromo no Rio a fim de receber o GP do Brasil nos anos seguintes. A F-1 não será disputada no País neste ano por causa da pandemia.

O próximo passo após a compra dos direitos de transmissão será o Rio Motorsports definir para quais canais vai sublicenciar os direitos de exibição das etapas da Fórmula 1. O Estadão apurou que o projeto é ter modelos de transmissão em várias frentes: TV aberta, TV fechada e streaming, uma novidade da categoria voltada para o mercado brasileiro. Em todos eles a ideia é exibir na íntegra os treinos e dar destaque especial para as corridas aos domingos.

A estimativa do mercado é que a Rio Motorsports possa ter faturamento superior a R$ 3 bilhões com os cinco anos de contrato. A projeção se baseia no próprio rendimento que a Rede Globo teve neste último ciclo, que foi de R$ 600 milhões por ano. Apesar de ainda não ter definição sobre quais serão os canais escolhidos para a transmissão, já foram realizadas nos últimos meses conversas preliminares com interessados. A partir de agora, com o acordo garantido, as reuniões vão se intensificar para se definir como os direitos de transmissão da Fórmula 1 serão distribuídos no mercado brasileiro.

Nas últimas semanas, embora o contrato entre F-1 1 e Rio Motorsports estivesse encaminhado, a categoria recebeu a procura de outros canais brasileiros, tanto da TV aberta quanto de fechada. Um dos interessados foi o Grupo Disney, com plano de colocar as corridas na Fox Sports ou na ESPN. No entanto, pesou a favor da Rio Motorsports a boa relação com a categoria, o modelo de negócio e o valor a ser pago, que é superior às outras sondagens.

A Rede Globo fazia a transmissão da categoria em TV aberta havia quase 40 anos. A emissora não chegou a um acordo financeiro com a Liberty Media, grupo dono da Fórmula 1, e não vai renovar o contrato atual. Apesar da ruptura, o comando da F-1 considera o Brasil um mercado essencial por ser uma das maiores audiências globais, e pela grande presença e atuação de patrocinadores.

O consórcio teria conversas adiantadas com algumas empresas para montar a nova lista de patrocinadores da categoria. Algumas marcas devem ser novas nesse tipo de segmento, principalmente empresas nas áreas de telefonia e instituições financeiras que se interessaram pela oportunidade e buscaram intensificar a negociação para bloquear a aparição no patrocínio de outras concorrentes da mesma área.

A Rio Motorsports também havia fechado em março deste ano a compra dos direitos de TV da MotoGP e optou por colocar as corridas na programação da Fox Sports. Porém, após problemas com o cumprimento das cláusulas contratuais, o acordo acabou desfeito. A Fox Sports então renegociou diretamente com a dona da categoria, a Dorna, e assinou recentemente um acordo por seis anos.

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