Ritmo da Red Bull nos treinos para o GP da Austrália assustou a concorrência

Domínio fácil de Sebastian Vettel mostra que de novo a equipe austríaca tem grande vantagem

LIVIO ORICCHIO, enviado especial, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2013 | 08h31

MELBOURNE - Certamente o resultado do primeiro dia de treinos oficiais da Fórmula 1 deixou muita gente preocupada. Sebastian Vettel, atual tricampeão do mundo, dominou com tanta facilidade as duas sessões livres do GP da Austrália, nesta sexta-feira em Melbourne, que ficou no ar a preocupante sensação, para os adversários de Vettel, de que a vantagem da Red Bull é novamente grande. “Verdade, mas é preciso esperar a sessão de classificação, amanhã, para tirarmos conclusões mais precisas”, afirmou o finlandês Kimi Raikkonen, da Lotus, quarto mais rápido, com 1min26s361.

O jovem alemão de apenas 25 anos estabeleceu o melhor tempo do treino da manhã e repetiu o brilhante desempenho à tarde, ao fazer 1min25s908, à média de 222,2 km/h. Para ratificar a aparente superioridade da Red Bull nesse início de temporada, Mark Webber, companheiro de Vettel, ficou em segundo, à tarde, com 1min26s172.

O primeiro concorrente de Vettel e Webber, ontem, foi Nico Rosberg, da Mercedes, mas 414 milésimos de segundo mais lento. Apesar da diferença significativa para os padrões da Fórmula 1 de Rosberg para Vettel, quase meio segundo, seu tempo ratifica a evolução da Mercedes já evidenciada nos testes de inverno. Em 2012, Rosberg e Michael Schumacher, costumavam ficar bem mais para trás em relação a Vettel.

“Posso dizer que estou menos preocupado, agora, que ontem”, afirmou Vettel. No último dia da pré-temporada, em Barcelona, o piloto da Red Bull comentou desconhecer o estágio do seu carro. “A baixa temperatura não permitia os pneus trabalharem direito e o carro reagia de maneira estranha. Aqui voltamos mais ou menos ao normal e, apesar de ter muito ainda o que fazer no nosso carro, sinto-me bem mais tranquilo.”

A previsão meteorológica para amanhã, na hora da definição do grid, 17 horas no circuito Albert Park, 3 horas em Brasília, é de 90% de chances de chover, informa o comunicado na sala de imprensa atualizado. Era até ontem de 80%. Os mesmos 90% de possibilidade de chuva se estendem para o corrida, domingo, também com largada às 3 horas.

“Hoje tive um dia tranquilo, sem problemas, mas precisamos estar atentos às mudanças no clima que vêm aí. Sobre o tempo que obtive hoje diria não ser importante”, disse Vettel, procurando em reduzir o impacto de ter registrado sua marca com extrema facilidade com os pneus supermacios da Pirelli. O outro tipo de pneu em Melbourne é o médio.

Durante o treino da tarde a temperatura do asfalto chegou a 39 graus Celsius, enquanto a ambiente atingiu 25 graus. Em Barcelona, o asfalto não foi além de 20 graus e apenas um dia. Paul Hembery, diretor da Pirelli, lembrou depois do treino que já havia informado que quando a temperatura se aproximasse do padrão que será enfrentado nas demais etapas, como hoje, os pneus se degradariam menos do que na pré-temporada, com o piso muito frio.

“Mesmo assim o desgaste dos pneus é bastante elevado”, explicou Romain Grosjean, da Lotus, autor do quinto tempo. “Os supermacios suportam bem cerca de 10 voltas, ao menos no nosso carro, enquanto os médios até 20. Quantas voltas tem a corrida?”, perguntou o francês. Ao saber que são 58, disse: “É só fazer as contas. Penso que serão três pit stops”.

Se a Red Bull confirmou ser a organização mais bem preparada nesse início de campeonato, a Ferrari esteve abaixo da expectativa, apesar do otimismo de Felipe Massa, autor do oitavo tempo à tarde, 1min26s855. Fernando Alonso, o companheiro, fez 1min26s748, sexto. “Tive um dia positivo, hoje, para a equipe e para mim, se considerarmos como terminamos a última temporada”, declarou Massa. “Faz tempo que eu não começava tão bem o campeonato.” Se a referência for Alonso, Massa ficou 107 milésimos atrás. Já para Vettel essa diferença sobre para inquietantes 947 milésimos.

Supreso com a Red Bull?, pergunta a imprensa internacional a Massa. “De jeito nenhum. Disse várias vezes que eles estavam escondendo o jogo nos testes de inverno.” A diferença entre sua equipe e a Red Bull, no entanto, é menor da verificada hoje, na sua opinião. “Meu tempo foi prejudicado por um problema no Kers (sistema de recuperação de energia), na volta lançada.”

Alonso parece mais realista que Massa na sua análise do primeiro dia de treinos oficiais. “Não estou surpreso com o resultado, nós já sabíamos não sermos os mais velozes e hoje tivemos a confirmação. O F138 responde bem às mudanças, mas precisamos trabalhar muito para enfrentar os melhores”, disse o espanhol. Nas séries de voltas seguidas, no entanto, simulando a corrida, Alonso registrou tempos competitivos, tanto com os pneus médios quanto com os supermacios.

A Lotus confirmou com Raikkonen, 453 milésimos mais lento que Vettel, o potencial demonstrado nos ensaios de inverno. “Nosso ritmo de corrida é muito bom. Precisamos avançar no desempenho em uma volta rápida apenas”, falou Eric Boullier, diretor da Lotus. E a Mercedes, terceira com Rosberg e sétima com Lewis Hamilton, da mesma forma confirmou o esperado depois do bom desempenho nos testes. Rosberg, porém, parou no fim com nova pane no sistema de transmissão, o que fez Raikkonen ser o piloto com menos quilômetros percorridos no inverno.

Hamilton está tendo mais dificuldades para tirar velocidade do modelo W04. E a expressão na volta aos boxes, depois de colidir levemente na barreira de pneus, em razão de um problema com o assoalho do carro, revelou sua tensão. Hamilton não lida bem com o fato de ficar atrás do companheiro, como ocorreu na pré-temporada e ontem, no primeiro dia de competição, em especial porque Rosberg nunca apareceu na lista dos mais talentosos da Fórmula 1 e perdeu para ele mesmo quando eram parceiros no kart.

Na McLaren o clima é de resignação com os problemas do projeto do MP4/28-Mercedes, profundamente revisto em relação a 2012. Exigirá tempo para acertá-lo. Jenson Button não foi além do 11.º lugar e Sergio Perez, estreante na equipe inglesa, o 13.º Hoje seu ritmo não difere do evidenciado pelos times do segundo pelotão, Force India e Sauber.

As duas sessões de ontem revelaram, ainda, que ao contrário do que se supunha e os próprios ensaios em Jerez de la Frontera e Barcelona sugeriam, a diferença das cinco melhores equipes para as demais parece ter crescido. Adrian Sutil, da Force India, obteve 1min27s435, marca 1,5 segundo pior que a de Vettel.

Tudo tem de ser ainda confirmado, ou mesmo retificado, nas próximas etapas do calendário. O primeiro treino, hoje, ofereceu apenas uma indicação do que vem por aí. A Red Bull dá a entender estar um passo à frente, quanto não está claro, seguida pelo bloco formado por Lotus, Ferrari e Mercedes. Depois vem o grupo de McLaren, Force India e Sauber.

A Williams andou para trás. Está agora junto da Toro Rosso. E entre as duas escuderias de menos recursos a Marussia reforçou a impressão deixada na pré-temporada de estar na frente da Caterham, o que é pouco compreensível, pois esta compete com motor e kers Renault, transmissão e sistema hidráulico da Red Bull, além de ter orçamento bem melhor que o da Marussia.

Mas como lembrou Raikkonen e Niki Lauda, com exclusividade ao Estado, “quem vai de verdade informar o estágio inicial de velocidade cada um será a classificação.”

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