Rivais prometem frear Ferrari em 2003

O circuito pode ser veloz, como o de Silverstone, na Inglaterra, de média velocidade, a exemplo da pista de Magny-Cours, na França, ou mesmo lento, característica do traçado de Hungaroring, onde começou a ser disputada nesta sexta-feira a 13ª etapa do Mundial de Fórmula 1: o GP da Hungria. Não importa a condição: a Ferrari está quase sempre muito à frente dos concorrentes. Nesta sexta-feira não foi diferente. Michael Schumacher estabeleceu o melhor tempo e Rubens Barrichello, o segundo. Mas os responsáveis pelos projetos das equipes adversárias acreditam muito que em 2003 o time italiano não terá as mesmas facilidades desta temporada, em que venceu até agora 10 das 12 etapas realizadas. Se depender dos diretores-técnicos da Williams, McLaren e Jordan, dentre outros, o próximo campeonato deverá ser mais difícil para a Ferrari. "Tenho fundamentadas razões para pensar dessa forma", disse Adrian Newey, da McLaren, que anunciou nesta sexta-feira que o inglês Mike Caughlan, ex-Arrows, Neil Oatley, antigo engenheiro da equipe, e John Sutton formarão a equipe coordenada por Newey que projetará o modelo 2003. "Um dos nossos problemas este ano foi o fato de experimentar os pneus Michelin, pela primeira vez, em janeiro apenas, quando o carro deste ano já estava quase pronto." A maior eficiência da Ferrari relaciona-se, segundo Newey comentou, à forma como seu F2002 desfruta dos pneus Bridgestone. "Não há picos de produção, como no nosso caso, mas constância de desempenho", explicou. A McLaren foi muito veloz em Mônaco e na França, enquanto que em algumas corridas chegou a tomar uma volta da Ferrari. "O segundo ano de uma escuderia com os mesmos pneus faz muita diferença, é possível fazer os pneus trabalharem melhor, como faz a Ferrari", previu Newey. Além disso, Mario Illien, da Ilmor, empresa que tem a Mercedes como sócia, que constrói os motores da McLaren, está desenvolvendo uma nova unidade. "Não se trata de uma mudança radical, como neste ano, em que alteramos a arquitetura do motor (de 72 para 90 graus), mas estamos partindo para soluções bem arrojadas", revelou Newey. As palavras de Newey confirmam o que muita gente na Fórmula 1 tem certeza de que ocorrerá: os projetistas da McLaren e da Williams vão arriscar. Têm de correr riscos na execução de suas idéias. Soluções de continuidade, ou seja apenas desenvolver os atuais modelos, representará avanço pequeno e os dois times necessitam, a todo custo, de dar grandes saltos de qualidade. A pressão dos sócios e patrocinadores é enorme. Antes mesmo de a Ferrari garantir o título com Schumacher, este ano, na França, Patrick Head, diretor-técnico da Williams, já havia renunciado à disputa. "Temos de começar o trabalho visando 2003", afirmou. E na prova de Silverstone sua escuderia quase que lançou um novo carro. As mudanças aerodinâmicas no FW24 foram tantas que até um novo monocoque, elemento central e principal de um F1, por abrigar o cockpit, tanque e a suspensão dianteira, teve de ser reprojetado. "Crescemos, mas a Ferrari fez um carro ainda melhor. Cada área do carro terá de dar melhores respostas, mecânica, aerodinâmica, eletrônica e os pneus também", avaliou Head. "Esforços e investimentos para isso não estão sendo medidos." "Não creio que a Ferrari fará um modelo muito mais rápido que o atual. Ao passo que as demais equipes têm uma margem de desenvolvimento maior", afirmou Gary Anderson, técnico que já estuda a Jordan do ano que vem. "Acredito, não apenas por ter de acreditar, que a próxima temporada não será tão fácil para a Ferrari." A Jordan deverá correr com motor Ford em substituição ao Honda atual. Como Newey, Anderson vê na profunda adaptação da F2002 da Ferrari aos pneus Bridgestone seu ponto de força. "É um carro projetado para aqueles pneus e pneus projetados para o carro." A Ferrari é o único time de ponta da Bridgestone. A Michelin tem de dividir suas atenções entre a Williams e a McLaren. Até agora, a Ferrari somou 147 pontos dentre os construtores diante de 76 da Williams e 49 da McLaren. "Essa divisão deverá ser mais proporcional em 2003", prevê Anderson, refletindo o pensamento dos outros responsáveis técnicos da Fórmula 1.

Agencia Estado,

16 Agosto 2002 | 14h41

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