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Reginaldo Leme
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Rivalidade subiu à cabeça

Respire fundo, você está em Monza. Não existe o aviso, mas deveria. Aqui dá pra sentir o cheiro da história da Fórmula-1. Os nomes de grandes mitos e o som dos motores de muitos anos passados ecoam pelas centenárias árvores que cercam o Parque Real, onde o autódromo foi construído em 1922. Depois de Brooklands, na Inglaterra, e Indianapolis, Estados Unidos, Monza é o terceiro circuito mais antigo do mundo.

Reginaldo Leme, O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2015 | 03h00

A história é encantadora: o autódromo foi criado para substituir o circuito de rua da cidade de Montichiari, província de Brescia, onde foi disputado o primeiro GP da Itália, em 1921. A partir do ano seguinte, a sede passou a ser Monza até 1938, quando recebeu a última edição GP antes da Segunda Guerra Mundial. Quando terminou a guerra, Monza não tinha condições imediatas de receber de volta o GP em 1947 por causa dos bombardeios sofridos. Mas em 1949 o autódromo foi reinaugurado com o GP e, no ano seguinte, a corrida passou a fazer parte do recém-criado campeonato mundial de F-1.

Quando foi criado, Monza tinha vários traçados diferentes, inclusive um oval com uma curva inclinada que foi usada pela última vez em 1961. Antes disso, em 57 e 58 ela atraiu equipes e pilotos norte-americanos para participar de uma prova de 500 Milhas que pretendia se tornar um desafio entre americanos e europeus denominado “Race of Two Worlds”. Os italianos adotaram o nome de “Monzanápolis”. De tão perigosa, depois de muitos acidentes graves a curva foi abandonada. Mas está lá, sem uso, até hoje. 

Não é fácil os fiscais permitirem, mas eu já consegui entrar de carro e a pé. De um jeito ou de outro, dá medo. De carro, andando devagar para não chamar a atenção dos fiscais, você tem a nítida sensação de que o carro vai capotar. A pé, é impossível escalar da parte de baixo para a de cima sem escorregar. 

Nenhum circuito do mundo recebeu tantos grandes prêmios. Este é o 65º de Monza desde a criação do Mundial em 1950. Houve apenas uma exceção, em 1980, quando a FIA exigiu o corte de uma árvore do parque e houve um protesto que acabou levando o GP para Ímola (vitória de Piquet). Entre países, apenas a Inglaterra tem o mesmo número de GPs (66), mas com a diferença de que o GP inglês foi disputado em três circuitos (49 em Silverstone, 12 em Brands Hatch e 5 em Aintree). Mesmo com as várias alterações sofridas ao longo da história, Monza continua sendo a pista mais veloz do campeonato (média de 238 km/h, contra 228 de Spa e 225 de Silverstone). Mas até 1971, antes da construção das três chicanes, a média da melhor volta foi 247 km/h, do francês Henri Pescarolo. Isso mostra bem a evolução constante dos carros da F-1. 

Com chicanes e tudo o mais que se fez para diminuir a velocidade, a pole do ano passado (Hamilton) já igualou esses 247 km/h de 1971. E na época dos potentes motores V10, Rubinho Barrichello chegou à média de 260 km/h. 

O motor é tão importante que a velocidade máxima em reta, na época do V-8, com rotação limitada a 19 mil giros, chegou a 359,827 km/h. E antes das restrições de motor e chassi, Juan Pablo Montoya, com McLaren, alcançou 372,6 km/h na reta. Um carro nessa velocidade percorre 100 metros em um segundo. 

O acerto do carro tem três segredos: pouquíssima pressão aerodinâmica (de um a dez, nível dois), carro equilibrado nas freadas fortes e suspensão que suporte passar sobre as zebras durante a corrida toda. Dos três, o que mais importa é mesmo o motor. O treino de ontem deixou isso bem claro: dos dez primeiros, apenas dois pilotos não tinham motor Mercedes, Para alívio dos italianos, os dois são da Ferrari.

Torcida em Monza é sempre muito grande. Já foi maior na era Schumacher, mas agora que Vettel soma duas vitórias no ano, o fanático ferrarista curte uma pequena esperança de vitória. Mesmo sabendo que isso só será possível se os carros da Mercedes tiverem problemas.

A rivalidade entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg subiu à cabeça. Hamilton, desta vez, foi mais ousado no visual. Está mais loiro do que Rosberg. 

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