Ron Dennis torce por pressão em Alonso

Ron Dennis, dono da McLaren, chegou confiante para o GP do Brasil, domingo, com a certeza de quem Kimi Raikkonen ou Juan Pablo Montoya será o vencedor. Nesta quinta-feira, em um hotel, falou sobre a expectativa para a corrida, lembranças de Ayrton Senna e até brincou com a possibilidade de Fernando Alonso - o grande rival e virtual campeão da temporada ? sofrer com a pressão no Brasil.?Não sei quem, mas a McLaren vencerá domingo. Estamos muito fortes agora. Sei que recebemos muitas críticas ao longo da temporada, que tivemos muitas dificuldades, mas não acredito em má sorte. Sei que no final quem vence é a melhor equipe e que trabalhamos com o mesmo empenho?, disse Ron Dennis.O dono da escuderia inglesa já espera uma dobradinha domingo: ?Será excelente se isso acontecer, principalmente porque não estamos focados apenas no Mundial de pilotos, mas de construtores. Se Kimi ganhar ou perder, ganharemos e perderemos como equipe.? Na classificação, a Renault está em primeiro, com 152 pontos, apenas seis a mais que a McLaren.Quando questionado sobre quem seria melhor piloto, Kimi ou Alonso, o cartola desconversou: ?É difícil comparar dois pilotos, especialmente porque os carros são diferentes. O Kimi é um grande piloto, talentoso, dedicado e dificilmente erra. Além disso, é muito frio, consegue eliminar facilmente qualquer desapontamento que sofreu.?Dennis sabe que existe uma pressão sobre Fernando Alonso, já que todos falam sobre o piloto da Renault conquistar o título no Brasil: ?Eu espero, sinceramente, que ele tenha toda a pressão do mundo. Toda a pressão que ele possa suportar. Para nós seria fantástico?, disse, em tom de brincadeira. ?O desafio dos pilotos é não errar. Vamos ver como será aqui.? Sem nennhum constrangimento, o inglês falou sobre os abusos que Kimi têm cometido nas comemorações, aparecendo bêbado nas manchetes dos jornais do mundo todo: ?Todo jovem, especialmente os de sucesso, comemoram. O mais importante é saber que a maioria das coisas que publicam a esse respeito é exagero. Depois da última prova, uma revista italiana teve de se retratar com ele. É claro que Kimi deve moderar e falamos isso a ele, mas acredito em livre arbítrio, ele é quem tem de decidir o que fazer.? Aproveitou para falar da personalidade de Juan Pablo Montoya, vencedor do GP do Brasil de 2004: ?O temperamento é totalmente latino, muito diferente do Kimi. Muitas vezes Montoya não pensa no que vai falar e tem uma abordagem agressiva que o faz errar. Como time, temos de tentar ajudá-lo nesse aspecto. Mas, no geral, é excelente pessoa e ótimo piloto.? Falar sobre Ayrton Senna ainda é um assunto delicado para Ron Dennis. ?Toda vez que venho a São Paulo me perguntam se é uma prova diferente por tudo o que vivi com Ayrton, éramos muito próximos. Me vejo como ser humano, mas muita gente acha que não quando falo que é uma prova comum. Procuro me manter concentrado e sempre profissional?, ressalta.Mas em seguida admite: ?Claro que vir aqui, onde era a casa de Ayrton, mexe um pouco porque traz as lembranças de tudo o que passamos. São Paulo é uma cidade magnética, é como um ímã. Me lembro que o Ayrton pegava um avião muitas vezes apenas para passar 24 horas em São Paulo.? O chefão da McLaren deixou até escapar uma mágoa em relação ao brasileiro, morto em 1994, quando pilotava pela Williams. ?Quando ele disse que mudaria de equipe foi muito doloroso. Ele achava que teria uma oportunidade melhor lá. Não era esse aspecto que eu achei que ele deveria levar em consideração, mas que éramos uma família. O acompanhei desde que era um menino até virar um grande homem?, desabafa.Ainda sobre os brasileiros Rubens Barrichello, Antonio Pizzonia e Felipe Massa, Dennis preferiu não fazer comparações. ?Já os vi correndo, conheço os nomes, mas seria injusto ter de escolher um para, supostamente correr na McLaren. Não posso dar uma resposta ainda mais porque o mais jovem deles (Massa, com 24 anos), deve se desenvolver, não posso julgá-lo?, desconversou.Também falou sobre a nova categoria, a A1, que estréia em Brands Hatch (Inglaterra), ano que vem, no mesmo dia do GP. ?Não sei dizer se serão nossos concorrentes. Se forem, sem problemas, vamos concorrer. Mas acho que temos um bom histórico para nos mantermos seguros. Acho ingenuidade pensar que uma categoria que terá equipes apenas de países chamará a atenção do público apenas por isso. Na Fórmula 1, por exemplo, as pessoas associam a Ferrari à Itália, a Renault à França, a BMW à Alemanha. Por isso que digo que não é uma novidade.?

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