Rubinho diz que ainda não fez nada

Pelo menos na entrevista depois do treino classificatório de hoje, os três pilotos mais velozes, que largam amanhã à frente no grid do GP do Brasil, às 14h, em Interlagos, estavam com "o pé no freio". Rubens Barrichello, o pole position pela Ferrari; David Coulthard, da McLaren, e Mark Webber, da Jaguar, engoliram sua alegria para se unir em um coro: com as novas regras da Fórmula 1, tudo pode acontecer na corrida deste domingo. Os carros se mostraram bem equilibrados, as estratégias das equipes, traçadas. Mas... Rubinho lembrou: no GP da Austrália, Coulthard largou em 11º lugar e foi o vencedor; no GP da Malásia, Kimi Raikkonen, de sétimo chegou a primeiro. "Estou muito contente, muito contente! Mas sei que não fiz nada ainda. Ainda mais agora, com as novas regras. O que conta é amanhã no GP)." Pessoalmente, comentou, começou melhor este ano do que no ano passado - bateu em Melbourne, mas fez o segundo lugar em Sepang. De toda forma, o piloto brasileiro vibrou muito na volta ao box, depois de conseguir sua pole, e disse ser muito bonito "ver o público vindo", enchendo o autódromo, passando uma boa energia, enquanto ele mesmo vai "pisando" o mais que pode. "A Fórmula 1 me ensinou. Não acredito mais em tudo, como antes. Agora, procuro ver as coisas como realmente são, dentro da competição", comentou o piloto, mas refreando uma ponta de otimismo ao comentar que está bem confiante, com o bom trabalho que a equipe vem fazendo: "O carro está bom, a estratégia está boa. Hoje já valeu." Rubão - Como um gol de Copa do Mundo - Eram no máximo 12 pessoas diante da tevê na parte dos fundos do box da Ferrari enquanto na pista era definido o grid de largada para a corrida de amanhã. E elas se lançaram uma sobre as outras, como na comemoração de um gol em final de Copa do Mundo, assim que saiu o tempo de Mark Webber, da Jaguar, o último na pista. O fato: ninguém mais podia tirar a pole de Rubinho. "Mata o velho!", dizia Rubão, o pai do piloto, porta afora, em direção a pessoas conhecidas que estavam no paddock ansiosas para vibrar com o resultado. "É aquilo que a gente espera, o que mais ele quer. Mas essa foi apenas uma etapa, resultado de um trabalho...", dizia Rubão quando foi interrompido pelo abraço apertado de Silvana, mulher de Rubinho, que disse: "Foi bonito demais, né?" Em poucos minutos, jornalistas de todo o mundo começaram a se aglomerar na linha demarcada pela equipe atrás dos boxes à espera de Rubinho. O piloto, no entanto, cumpria à regra o programa da FIA: primeiro a coletiva de imprensa oficial à tevê, depois aos jornalistas em geral. Na sala de entrevistas, Rubinho ainda falava sobre sua preparação para amanhã. Disse que o GP do Brasil é sempre um grande desafio. "Mas gosto de desafios, de ler os jornais amanhã. Nós vamos nos contruindo, nós mesmos, sob pressão, melhorando, aprendendo a controlar essa pressão.Será bom ver gente comprando ingressos amanhã - se é que já não se esgotaram hoje. Para mim, agora, correr em Interlagos é como no futebol: jogar em casa é jogar com vantagem." E quanto ao assunto da semana - os pneus de chuva -, Rubinho assumiu: se houver perigo por chover muito pesado, os pilotos têm de se manter unidos. "A situação de sexta-feira foi terrível no treino da manhã. Nada de visibilidade, muita aquaplanagem. Você não pode permitir um acidente por não estar com pneus adequados. Será preciso estudar e tentar fazer algumas mudanças de regras, para que se tenha mais de uma opção de pneus de chuva." Cicarelli - Depois, no box da Ferrari, todas as lentes estavam voltadas na direção do brasileiro até que o senhor Flávio e sua filha chegaram à área para cumprimentar Rubinho e seus familiares. "Meu pai sempre foi maluco por Fórmula 1. Parabéns, viu?", disse a filha - nada menos que Daniela Cicarelli, a modelo mais cultuada do País, hoje ovacionada pelos fãs do automobilismo. Em cinco minutos, os dois foram levados por Frederico della Noce, manager de Rubinho, para dentro do box, onde até o baixinho e costumeiramente enfezado Jean Todt, diretor-esportivo da Ferrari, olhava para cima, sorriso aparvalhado, enquanto a garota falava. Nessa brincadeira, passaram-se 25 minutos até que chegasse o momento do abraço que se repete há mais de 30 anos. "Um abraço entre a gente diz tudo. Nem precisa falar nada um para o outro", contou Rubão depois que o filho foi "roubado" para dentro do box, acrescentando: "Foi muito bom. Tudo muito bom. Inclusive esse primeiro presente do Rubinho para a torcida. E foi só o primeiro."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.