Rubinho diz que família será importante

O GP da Turquia começou, nesta quinta-feira, como terminou o GP da Hungria, ainda no último dia 31: Rubens Barrichello e Felipe Massa como o centro das atenções. A transferência de Rubinho da Ferrari para a BAR e a de Felipe Massa da Sauber para a Ferrari, a partir de 2006, continuam agitando a Fórmula 1. O autódromo ,construído a cerca de 60 quilômetros de Istambul, é belíssimo, funcional em extremos e os pilotos adoraram o traçado de 5.338 metros. Nesta sexta, começam os treinos livres da 14ª etapa da temporada. Poucas vezes a entrevista organizada pela FIA foi tão concorrida quanto a desta quinta. Disponível, a seguir, Rubinho abriu o coração para comentar sua saída da Ferrari e o novo desafio profissional que o aguarda. "Olha, eu e o Gil de Ferran (diretor-esportivo da BAR-Honda) já conversamos com nossas esposas, filhos, e eles vão ter de começar a entender de automobilismo porque senão será difícil", disse. "Eu e o Gil somos amigos, vamos passar muitas horas, durante os jantares, falando de carro de corrida". Rubinho confessou que Gil foi fundamental para aceitar o convite para deixar a Ferrari. "Devo 100% a ele. O Gil trabalhou com a Honda, conseguiu me mostrar o que eles têm de positivo, como o Ayrton Senna fazia. Foi decisivo". A Honda adquiriu, este ano, 45% da BAR. Sem a sombra de Michael Schumacher, as chances de sucesso crescem, diz. "Eu não saí antes da Ferrari em razão de os convites que recebi não me darem as mesmas garantias que tenho hoje na BAR-Honda, onde estão reunidos todos os ingredientes para vencer na Fórmula 1", afirmou, dando a entender que se pudesse teria mudado de ares antes e não se submeteria mais a ser preterido em quase tudo. Sua contribuição nos novos planos da Honda é bem definida por ele próprio: "Talvez falte aquele toque de pilotagem e um pouco de experiência. Eu e o Gil já dissemos para nossas famílias que tão logo eu possa testar o carro da BAR-Honda, em janeiro, vamos trabalhar realmente muito, bem mais do que se tivesse na Ferrari". A razão principal, contudo, para aceitar correr no time dirigido por Gil é uma só. "Aos 33 anos, tenho grande vontade de ser campeão. É para isto que estou aqui e para ser campeão minhas chances na BAR-Honda são maiores que na Ferrari". Michael Schumacher comentou, nesta quinta, a frase de Rubinho. "Acho que ele está certo. Se acredita nisso, tem mesmo de mudar de equipe. Espero que ele continue me enviando seus e-mails, alguns deles são muito engraçados, nos divertimos muito". Apesar de ser companheiro de Schumacher desde 2000, o alemão não foi a causa da saída de Rubinho da Ferrari. "O Schumacher nunca fez parte das minhas decisões". Na entrevista coletiva, ao lado de Felipe Massa, Rubinho disse que seu substituto enfrentará dificuldades, mas ao mesmo tempo entrará na equipe num momento melhor que o seu. "Meu contrato não tem cláusula de primeiro e segundo piloto", falou Massa, em resposta a um jornalista. Rubinho ouviu e emendou: "O meu também não", como quem diz que na prática a história é outra. De qualquer forma, seu trabalho na Ferrari mudou o pensamento de seus dirigentes. "O Massa chegará lá num instante em que eles valorizam muito mais os dois pilotos", disse Barrichello. Rubinho nunca escondeu o choque inicial, em 2000, ao sentir que o universo da Ferrari girava ao redor de Schumacher apenas. Nas duas semanas que passou no Brasil, este mês, Rubinho se convenceu de que há muitos anos os brasileiros não demonstravam tanto interesse pela Fórmula 1 como com a temporada de 2006, com ele na BAR e Massa na Ferrari: "Será muito bom, tenho recebido enorme carinho das pessoas na rua, o público está entusiasmado". Desde 1991, o Brasil não tem dois pilotos em times de ponta. Naquele ano, Ayrton Senna seria campeão pela McLaren e Nelson Piquet competia pela Benetton.

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